sábado, 5 de novembro de 2016

Nossas idiossincrasias brasilianas

E depois de uma crise de pânico desse mundo (no real do corpo), ainda deitada, comecei a normalizar as sinapses.
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Interessante que ouvimos sem parar que luta de classe não existe e é coisa de marxista-maconheiro-de humanas que não faz nada e tem tempo de pensar essas merdas.

Tá. Vou nem falar do mundo. Vou ficar só com uns dados da terra brasilis.

O que temos visto explodir desde junho de 2013 é o quê? O que você acha que é ese rebuliço que toma conta das ruas e que parece briga de torcida?
Jovens na rua tomando porrada da polícia, jornalistas ficando cegos por tiros de balas de borracha, morrendo. O rapaz que portava o pinho sol preso até hoje por ter PORTADO PINHO SOL na mochila.

Jovens ocupando mais de 1200 escolas sob o silenciamento ou a criminalização massacrantes da mídia que detém o dinheiro no país. Sendo alvos recentes da tortura autorizada pelo Estado.

O que vc acha que é classe média  paneleira na avenida Paulista (porque uma parcela não o é) tendo cobertura midiática e banda de música global regada a prosseco reclamando suas ideias (porque ideia todo mundo pode ter e defendê-la) e essa mesma mídia "faz a gringa" (expressão que quer dizer que finge que não tá acontecendo nada embaixo do seu nariz) quando o país explode em manifestações de rua que só recebem tiro, porrada e bomba de gás?

O que vc acha que é Jucá dizendo que já falou com os generais e que estão já monitorando o MST?

O que vc acha que é esse discurso de "você não tem sucesso por que vc é preguiçoso e ainda tem o defeito de ser preto e mora longe?... "próximo! se aproxime do balcão, por favor"...

O que você acha que é quando menos favorecidos compram esse "texto pronto" e com ele engrossam as fileiras que justificam a mesma desigualdade qie os massacra?

Titia Crica explica:

Isso se chama LUTA DE CLASSES.

Que tem como carro chefe DOIS GRUPOS antagônicos socialmente: um tem capital, dinheiro, la plata, poder na mídia, na escola, no partido. Tem ídolos como Trump (por quem são chamados de porcos e assim mesmo fazer passeata para ele na Paulista) e FHC ( nome nome de inseticida pra mim,  não consigo evitar essa associação).  

O outro grupo almeja e almejará a vida toda sem alcançar quase nada além do sustento, quem sabe um carrinho popular, para seus filhos uma escola sem árvores e que o máximo do lazer é uma quadra de cimento.

Esse são os grupos principais. Sim,  porque a chamada luta de classes é muito mais complexa.

Há grupos economicamente semelhantes se degladiando DISCURSIVAMENTE, porque não enxergam que estão todos na mesma escala da pirâmide. Uns põem o pé no degrau de cima, com cordas segurando pra não despencar e voltar lá pra base, as mãos sangram, mas aí passam a se achar superiores só porque as mãos sangram e isso é sinal de esforço. E com isso passa a achar indigno o outro que só sangra por dentro mas ele não vê, esquecendo que o que tá lá em cima assiste feliz de camarote a subdivisão da luta de classes, os iguais brigando entre si. A luta de classes acontece econômica e discursivamente intraclasses também.

POIS É.

Como a gente pode ver, a luta de classes está aí com força total. É uma pena que achemos que tenhamos que brigar entre nós e com isso alegramos as classes abastadas. Diminuímos nossa força de luta e discursiva a partir de uma mentira.

Qual é essa mentira? De que alguns de nós pode fazer parte de uma classe que na verdade quer o sangue nas mãos (esforço), mas tira as cordas (garantias contitucionais, por exemplo), e quando não servimos mais como colaboradores do sistema, nos empurram de volta em queda livra lá pra baixo sem as cordas pra nos lembrar de onde viemos.

Ou seja: esforço pessoal é uma condicionante muito fraca no terceiro pior país do mundo em mobilidade social. Pesquisa lá das gringas.

Esforço pessoal se torna ínfimo quando não há garantias.

E você aí chamando aquele seu vizinho que sai de casa às 5 da madrugada e volta às 9 da noite de vagabundo. Pensa. Não mata seus neurônios, fique tranquilo.

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