quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Libido, ansiedade e depressão.

É isso mesmo. Libido, essa que move nosso cotidiano.
Foi o assunto de hoje num grupo virtual que administro e que a ansiedade e a depressão atingem diretamente. Mas... como começou essa história da gente começar a falar disso na vida?
Por Freud ter ficado muito conhecido por inaugurar a teoria da sexualidade infantil e falar abertamente em sexualidade em sua época, passamos a achar que libido se trata só de energia para o sexo. É isso e não é. Como assim? 
Libido é a nossa energia de vida. E como somos seres que possuem em si instintos (também chamado mais atualmente de pulsões), são dois os instintos/pulsões primordiais que nos governam: de vida (movimento) e de morte (repouso) .
Por isso, o instinto é algo que está  por assim dizer englobado no que se chama libido. Ela é a energia que usamos para viver. Por ser uma energia que está dentro do nosso corpo e da nossa psique, a libido age diretamente na nossa vontade de fazer a vida andar. Nossa criatividade, disposição para fazer as coisas da vida, o sexo e, literalmente a vontade de viver, é, segundo a ótica da Psicanálise, a nossa libido em ação. 
Percebam que o sexo no sentido do ato em si é apenas uma parte. Mas a energia sexual é algo bem mais amplo. A libido é a energia sexual de cada um. A energia sexual, de ser quem somos, de constituir nossa humanidade, é primordial para que continuemos vivos e em sociedade.
E por que estou falando disso?
Porque quando estamos em estados "transtornados" como a depressão e a ansiedade, a nossa libido é atingida diretamente. Na depressão essa energia pode ir quase a zero (estamos sendo manipulados aí pela pulsão de morte, do repouso final e absoluto), vide tantas pessoas que infelizmente morrem em decorrência de um estado depressivo em alto grau. 
Na ansiedade podemos até ficar mais sexuais, e o ato nos alivia desse "caminhão em alta velocidade". Mas pode ocorrer também que a gente fique tanto tempo com o pensamento acelerado em decorrência do estado ansioso que ocorra em nós um esgotamento de energia e não queiramos nem ouvir falar de fazer sexo. 
Não existe uma quantidade ideal de relações sexuais para se considerar uma pessoa saudável. O que pode ser considerado fora da curva é o excesso ou a ausência de vontade para o sexo. E aí é preciso uma investigação junto ao médico e/o ao terapeuta para que possamos lidar com nosso descompasso.
Remédios para transtorno de ansiedade e depressão também tendem a alterar nosso estado dito normal, nos colocando acima ou abaixo dessa linha. Infelizmente o excesso de medicalização em que vive a nossa sociedade hoje tem afetado diretamente nossa libido.
Ou seja, parece que nos encontramos numa encruzilhada: se ficamos usar medicamento e temos uma falta de vontade ou muito dela para o sexo, pode ser que ele ajude. Pode ser, porque nem todo caso de ausência ou excesso de vontade de sexo se reduz a medicamento. Por isso a importância de se dar entrada num processo terapêutico, pois, tem um ponto que parece ser primordial em relação a isso: nossa infância tem muito muito a nos dizer sobre o adulto que somos hoje. Pode ser que nosso descompasso sexual tenha a ver com coisas que nem lembramos mais (na linguagem psicanalítica, ficaram recalcadas...bem vindos, não foi a Valesca Popozuda que inventou esse termo) e a análise pode entrar aí como uma grande aliada na descoberta e resolução de uma gama enorme de nossos problemas ditos de ordem sexual ou não. mas o fato é que SOMOS seres sexuais.
Mas a libido, como já disse, não não se reduz à vontade para o ato sexual em si. Como ela é algo muito mais abrangente, ela também "regula" essa parte da nossa vida. Um exemplo: é só perceber que, quando estamos muito cansados e sem energia, queremos a cama, mas não o sexo nela e nem algo que demande organização de pensamento e criatividade de nossa parte. Só queremos dormir naquele momento.
Mas como fazer quando passamos pela vida querendo só dormir, numa ausência dessa movimento para a vida mesma, ou só acelerados e esgotados? Como resolver essa dissonância?
Penso que um processo analítico à beira do divã tenha muito a nos dizer.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

O início, o fim e o meio

A frase de Raul Seixas traduz bem o momento. Fim de férias, início de ano e no meio um monte de atividades que já nos perseguem igual a um sonho recorrente.
Muitas atividades. Muitos livros pra ler. Tenho pelo menos 10 na lista dos atrasados. Mais uns 358 na fila dos "a ser adquiridos".
Acabou a folga. Se bem que eu não tive folga. Então nem acabou. Apenas o calendário virou, mas os mesmos livros, contas, problemas de família e a gastrite de 30 anos continuam comigo no ano novo.
Mas tá bom (ou não). 2015 foi um ano brabo, cansativo, onde pude exercitar a esperança, a fé e o amor. Tudo o que eu coloquei no post anterior a esse. Um ano de provas e crescimento que seguirão seu curso esse ano.
Na lista de coisas da vida estou tentando terminar meu site. E, como toda mulher que tem marido das informáticas, é um inferno. Faz tudo pra qualquer um. Mas não sou qualquer uma e por isso fico sem mesmo.
No consultório aos poucos a vida vai tomando vulto e pacientes vão chegando. Indecisos vão capengando. Mas é assim mesmo. A pessoa precisa de muita coragem pra enfrentar seus demônios e deitar num divã. Não se pode ser apressado e querer que a pessoa se adapte. Mesmo porque adaptação e análise não combinam, pois ela serve para nos desacomodar mesmo. Pra nos tirar do nosso prumo neurótico.  E isso leva tempo. Faço análise pessoal há um bom tempo de quase uma década e sei cada vez mais que "há tempos são os jovens que adoecem, o encanto está ausente e há ferrugem nos sorrisos", palavras sábias do Renato Russo. As pessoas estão querendo congelar seu "susselfie" de Facebook, querendo transparecer uma felicidade plena que não existe. E vamos adoecendo achando tudo isso muito normal.
O normal nesse mundo é ser ansioso, depressivo e tomar fluoxetina e/ou citalopram e/ou sei lá o que nos acelere de manhã e desacelere à noite porque nosso corpo natural não consegue mais fazer sozinho suas funções básicas de acordar e dormir. Em qualquer conversa não tem que não tome um rivotrilzinho pra aliviar a pressão da vida. Bem vindos à nossa normalidade viciada! Fico pensando que o uso medicinal da maconha seria muito mais light. Mas aí estaríamos já todos viciados também, porque a nossa compulsão pelo sucesso total (baseado no amor ao dinheiro que perseguimos ferozmente) precisa de entorpecente pra gente aguentar o tranco.
É isso. Fim de um ano e início de outro. E o que tá no meio é a vida. O dia a dia. O amar o outro. Amar a si. Dar conta das trezentas mil atividades que nos escravizam e nos tiram o tempo, o aliado que virou inimigo e algoz. Porque se o dia fosse mais longo com certeza a gente estaria mais afundado em atividades e sem aproveitar o ócio criativo que é tão fundamental quanto o ar. Mas negamos o ócio e fazemos dele negócio.
Então, deixemos de coisa e cuidemos da vida, pois, se nos chega a morte ou coisa parecida (um AVC, infarto, sedentarismo emocional e reticências porque a lista é imensa) e nos arrasta moços sem ter visto a vida?
Bora trabalhar pra ter um caixão fashion!