segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Voltando ao normal...será?

Depois de um dos quinze dias mais acelerados dos últimos anos parece que finalmente meu segundo semestre começa.

Reformei minha velha casa (só por dentro ainda) e me mudei há pouco mais de duas semanas. Abri meu próprio consultório. Mas antes de tudo se concretizar eu esperei. Esperei. Esperei muito. E esperar pra ansioso é o mesmo que passar fome pra quem tá de dieta. Um sacrifício. Infernal.

Esperei intensamente a volta do meu filho que foi fazer intercâmbio na Alemanha em fevereiro de 2014. Ele já é adulto. Tem 23 anos. Meu primogênito. Mas sou uma mãe que engole a cria. Lacan  que me ature.

Mãe sempre quer filho pro perto. Não sou diferente de ninguém. Tô falando das mães de verdade, não de quem tem filho e terceiriza por vontade própria tudo o que diz respeito à criança. Sei que tem muitas que precisam terceirizar. A estas minha homenagem, pois são heroínas em dupla jornada de vida.

Bom, mas tava falando da espera. Esperei muito por esse menino. Na minha cabeça ele não chegava nunca. Mas ele chegou. E com ele a alegria de rever um filho. Fiquei pensando hoje nas mães que abraçavam seus filhos que voltavam da guerra. Num tempo onde não se tinha comunicação e se ficava sem saber se a pessoa estava viva. Deus me deixou nascer na época certa. Acho que eu morreria.

Alegria imensa. Casa cheia. De amigos. Das avós. Tios. Três dias de festa (que para meu marido é sinônimo de churrasco). O pai também fez aniversário nesse meio tempo e confesso que não consegui pensar muito nisso pela primeira vez. Eu estava tomada pela alegria de ver meu menino de novo.

Sei que me acham exagerada com essa coisa de filho. Sou mais transparente do que gostaria. Nem os 10 anos de análise me ensinaram a arte da camuflagem. Mas aprendi a ser um pouco menos agressiva com o mundo. Acho que a tribo já ganha com isso.

Enfim. Parece que finalmente a vida está entrando nos eixos. Mais ou menos. Tenho agora dois artigos do doutorado pra fazer. Não escrevi uma linha. As coisas só estão no cérebro e espero que saiam de lá. Senão vai rolar DR com tico e teco. Eles que me aguardem.

Voltar ao normal não é propriamente a minha praia. Não me vejo normal. Sou meio extravagante de cara e sentimentos. Uso uns óculos de Minion, tenho o cabelo platinado. Num corpo 48. Totalmente fora do aceitável para a sociedade. Dane-se. Sou quem posso ser dentro de mim. E isso se exterioriza.

A Universidade em greve me desanima. Preciso da rotina pra não esmorecer, porque lutar contra a depressão é uó, ainda mais cansada do jeito que estou. Só queria dormir e acordar já no paraíso. Se estivesse em aula esses artigos já tinham saído do forno. Paciência. Agora é sentar e fazer os dois. Os próximos dez dias serão intensos, quando eu só queria descanso.

Agora é voltar à rotina depois de tantas emoções e choros descontrolados. Voltar ao normal...será?

3 comentários:

Jane Abelha disse...

Sensacional!!!!!

Crica Viegas disse...

Só doideira nessa minha vida kkkkkk

Lúcia Soares disse...

Ninguém é normal, muito menos as mães. rs
Foco, força e fé, que tudo sai da mente e vai pro papel, Crica.
Beijo.