quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Você se veste de escravidão?

Ando muito preocupada com essa coisa do trabalho escravo ou análogo na indústria de roupas. Como toda mulher, gosto de comprar roupas, sapatos, acessórios. Mas essa questão tem me incomodado muito.
Ontem mesmo falava com marido no carro que estou com vontade de subir a serra e passar a comprar minhas roupas em Petrópolis, onde tem a rua Teresa, um dos maiores polos de moda aqui do leste fluminense. Pesquiso muito sobre esse assunto é já deixei de comprar na Zara, agora soube da Marisa que vou cortar da lista. O que me impressiona é que grifes caríssimas se utilizam dessa barbárie pra funcionar. E ficamos cegos nesse impulso consumista, compramos tudo da China. Fiz uma única compra no Ali Express pra nunca mais. Mas a gente vai ficando espremido sem saber o que fazer, ainda mais que eu sou plus SIZE e aí as opções são mais raras ainda.
Procuro acompanhar as notícias sobre o assunto e ver se alguma loja em que compro tem alguma denúncia a esse respeito. Não posso abarcar toda a indústria, óbvio, mas à medida que fico sabendo vou cortando da lista. Tenho procurado olhar as etiquetas pra ver onde é fabricado. Se é na China ou na Índia penso mil vezes e acabo não levando porque sei o regime que eles usam lá. Mas só posso trabalhar com o que sei né. Mesmo porque em Sampa e mesmo no subúrbio do Rio de Janeiro ocorre isso tb. Péssimas condições, encarceramento de mulheres e crianças. O fato é que a escravidão nunca acabou. E a gente acha até natural. Mas não devemos achar natural o nosso semelhante ser tratado pior do que um animal. Deixo registrado aqui que sou CONTRA OS MAUS TRATOS A ANIMAIS TB.
O fato é que não sei se vc pensa nisso. Talvez seja uma questão minha, mas penso que posso dividi-la no sentido de lançar um farol no assunto. E também não sei se todas as confecções da rua Teresa estão longe do trabalho escravo ou análogo a ele. Ser consciente da um trabalho, mas acho que continua ia valendo a pena.
Tenho andado com vontade de voltar à velha e boa costureira. O que se tornou um serviço de luxo, pois teve que se adaptar à grande indústria, e pra ganhar algo que valha não pode cobrar baratinho. Baratinho tem na C&A, na Leader, na Renner. Aliás, nem baratinho é. Mas pra quem tá na linha de produção não tem como concorrer com uma camiseta que custa 1 real e é vendida a 20, por exemplo. A situação fica difícil.
Bom, tenho me preocupado com isso. Com esse mundo que anda cada vez mais louco. Com a naturalização da violência e a banalização da exploração e do ódio. Tentando fazer a minha parte.

Um comentário:

Lúcia Soares disse...

Concordo. Sou pouco consumista e não uso grifes, então acho que não compro dessas fábricas que praticam atrocidades.
O que fico pensando é que pagam tão mal, porque as pessoa se submetem a isso? Por que saem de suas cidades? Por que é difícil arranjar freguesia e trabalhar por conta própria? Por que são enganadas? Tantos e tantos porquês, todos sem respostas, ou muitas respostas.
Se cada um fizer o seu boicote às grandes marcas, vai melhorando...Produto chinês é quase tudo no mundo, atualmente. Mesmo o que se pensa que é impossível que seja, é...Trocam as etiquetas e pronto.
O mundo é cruel.
Beijo, Crica.