sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Mãe profissional

Este post pode desinteressar. Fique à vontade. Aqui é minha opinião e ninguém é obrigado a concordar com ela. Vou falar do que ser mãe foi e é pra mim.
Desde que me tornei mãe essa função tomou conta da minha vida.
Não pude delegar a criação de meus filhos a terceiros, e digo que sofri uns anos com isso. Verdade. Eu me sentia presa e irrealizada.
Meus filhos foram educados por mim. Nunca achei que a escola tivesse essa obrigação. Meu marido viajava muito a trabalho e ai era eu e eu mesma.
Me lembro de nas tempestades onde faltava luz algumas vezes os coloquei sentados na janela da sala pra varanda pra ver as explosões, raios e trovões. "Mamãe, agora vem o barulhão!" . "E depois vem a luzona, filho...olha...brummmm". Me cagando de medo. Marido não ia chegar. Mas eu sentia que eles precisavam se sentir seguros, meus dois bebês.
Perdi a conta das noites sem dormir, das festinhas chatas na escola, das apresentações de fim de ano todas iguais. Eu odiava cada uma delas. Sempre fui muito tímida e detestava essas ocasiões que eu era obrigada a socializar.
Enfim. Nem sempre gostei de ser mãe. A gente não tem individualidade. Vira mãe. Mas estive presente em cada passinho, em cada febre, em todas as idas ao hospital. E isso fez tudo valer a pena.
Durante 20 anos fiz parte do clube mães em tempo integral. E isso me fez ter alguma experiência que hoje posso passar pras amigas mais jovens com filhos pequenos.
Já perdi casamento porque fui toda vomitada na porta de casa, me enfureci e não saí. Já virei bicho em reunião de escola quando um dos dois estava passando por algo que era obrigação da escola se posicionar, como bullying, que é a palavra da moda.
Já briguei com sogra por causa de filho. Já briguei com minha mãe e disse "não se mete que neles mando eu". Já fiquei com ódio de marido por bater neles, só quem podia bater era eu. Coisas de mãe.
Minha vida profissional de fato começou em 2009, dei mais uma parada quando tive a terceira filha, e retornei para fazer mestrado em 2011. Descobri  minha vocação tardiamente.. Corri atrás de um tempo que achei que tava perdido, mas entendi que tudo acontece na hora certa. Eu não teria a maturidade necessária pra exercer a profissão que escolhi, e que hoje me deixa livre pra fazer meu horário. Tá certo que não vou ficar rica. Não se pode ter tudo né.
Nesse turbilhão, consegui concluir meu mestrado e passei pro doutorado (este post foi atualizado em 8/8/2015), pois estudar é o que me move. Meu intelecto precisa de oxigênio dos livros todos os dias. Quando eu leio volto a respirar.
Pra que eu escrevi isso? Sei lá. Talvez pra dizer pra mim mesma que a maternidade, apesar de toda a dor que é, também é uma delícia. O orgulho de ouvir "seus filhos são tão educados" é todo meu. A cada palmada (hoje não pode mais, né...mas que funcionou, funcionou mesmo), a cada dever de casa sofrido, a cada remédio pra dor de barriga, a cada dia que passou nessa nossa jornada de 20 e poucos anos eu me tornei quem sou hoje. E acho que me tornei alguém melhor e devolvo ao mundo pessoas que conseguem enxergar a necessidade do próximo e ter empatia e solidariedade. Quer prêmio maior que este?

2 comentários:

Roselia Bezerra disse...

Olá, querida Crica
No meio a trancos e barrancos também devolvo ao mundo homens e mulher de bem... Gostei do desfecho e li tudinho... valeu a sua experiência materna... pra mim foi uma delícia também...
Bjm fraterno

Crica Viegas disse...

Pois é. Rs. Dor e delícia.