domingo, 5 de outubro de 2014

Não votei em Dilma

Já fui petista roxa. Vermelha. Laranja. Hoje não mais.

E não é por decepção, porque não coloco a minha fé na humanidade neste nível. Não mais.

Já fiz campanha de rua, já coloquei placa em casa. Votei em Lula duas vezes.

Não me arrependo. Isso mesmo. Not at all.

Mas simplesmente hoje enxergo alguns horizontes diferentes do que antes. Acho saudável o poder mudar de mãos. Uma democracia só tem sentido se tiver o sopro das mudanças.

Não votei em Dilma. Aliás, nunca votei nela.

Mas continuo partidária de iniciativas como os programas de transferência de renda que, aliás, quem foi arauto por essas bandas foi o Eduardo Suplicy, um dos políticos que admiro. Os programas que de alguma maneira defendem os trabalhadores da terra também me fazem acreditar que o país olha pros mais pobres e trabalhadores.

O fato de pessoas de origem mais humilde terem incentivos pra mudar de vida me deixa mais feliz como cidadã. Acompanho o Bolsa Família desde sua estréia e sei dos inúmeros benefícios que ele trouxe. E concordo que o maior malefício seja ele ser usado como moeda eleitoreira. E que tem os malandros e as mulheres que querem reproduzir pra viver de renda. Mas isso não acontece apenas no Brasil. Nos EUA já vai pra quinta geração que vive na vagabundagem com auxílio do governo, por exemplo. Não sou ingênua nem vivo no país das maravilhas. Mas sou assistente social e sei do que estou falando. Minha própria família teve a conquista da casa própria no governo lulista. Por isso sou grata. Poderia ser outro? Claro que poderia. Não sou lulete. Mas foi no governo de Lula,  principalmente no primeiro governo, que os ideais republicanos vigoraram a todo vapor. Sou feliz por ter feito parte dessa história.

Mas sei que o poder e o capital, o dinheiro mesmo, são capazes de nos embaçar o juízo e nos apodrecer. Foi assim com o PSDB, foi assim com o PT. O PMBD, então, ajudou a sedimentar a corrupção por essas bandas brasilis. Quem ganhar, sempre tem o apoio do PMDB, um partido que não tem vergonhá na cara. Mas não estou aqui pra falar de partido.

A internet nos deu a visibilidade em tempo real que é boa, mas é a maior fábrica de mentira e mesquinharia tb. Procuro ficar atenta, filtrar, acompanhar, ver a fonte. Claro que nem sempre isso é possível. Mas não fico medindo nada pela mídia veja-globo-folha-estadão. Vou procurar outras fontes também.

O Brasil clama por mudanças. Que elas venham. Mas que não atropelem os mais necessitados. Esses precisam de assistência sim, e incentivo.

Eu espero que  meu voto tenham servido pra algo. Serviu sim. Pra movimentar a democracia. Essa sim, precisa sempre de uma sacudida. E acho que independente do resultado, a luta tá sendo boa pro Brasil.

E vambora que a vida não espera.

Quem sabe faz a hora. Faça os acontecer.

4 comentários:

Beth/Lilás disse...

Tô daqui te aplaudindo amiga. Muito sincera e coerente sua decisão.
Também não votei na Dilma, óbvio.
Conhecendo minha posição nestes últimos meses, adivinha em quem votei? rsssbjs cariocas


Juli disse...

Crica querida: Gostei muito do texto. Sou tb assistente social e acompanhei pessoalmente como coordenadora do programa em BSB. Como vc acho o programa da Bolsa Família excelente no seu contexto. Acontece que a falta de acompanhamento das famílias por falta de pessoal(a.s, psicólogos e outros profissionais da área social)fazem com que muitas famílias se acomodam na situação. Se é uma ajuda, teriam 5 a 7 meses, período que as famílias teriam para se estabilizar orientados para resgatar sua eficiência financeira.Tivemos programas de profissionalização e algumas foram convocadas para trabalhar com Carteira assinada o que foi rejeitado por elas para não perder a bolsa . Por outro lado muitos compravam drogas , faziam viagens para o nordeste e outros gastos desnecessários em detrimento da alimentação. Como tudo se copia, este Programa teve origem no ACAL e UCIM ( MIN SAÚDE- INAN 1973) e CSU - IPEA- 1976 A 81. Nestes programas o alimento era oferecido toda semana, em cesta básica, alm de terem atendimento médico, odontológico , capacitação profissional e outros serviços : biblioteca, grupos musicais, laboterapia etc.Tendo sempre acompanhamento dos profissionais em número suficiente . [e isso aí Deus abençoe vc. bjs

Juli disse...

Crica querida: Gostei muito do texto. Sou tb assistente social e acompanhei pessoalmente como coordenadora do programa em BSB. Como vc acho o programa da Bolsa Família excelente no seu contexto. Acontece que a falta de acompanhamento das famílias por falta de pessoal(a.s, psicólogos e outros profissionais da área social)fazem com que muitas famílias se acomodam na situação. Se é uma ajuda, teriam 5 a 7 meses, período que as famílias teriam para se estabilizar orientados para resgatar sua eficiência financeira.Tivemos programas de profissionalização e algumas foram convocadas para trabalhar com Carteira assinada o que foi rejeitado por elas para não perder a bolsa . Por outro lado muitos compravam drogas , faziam viagens para o nordeste e outros gastos desnecessários em detrimento da alimentação. Como tudo se copia, este Programa teve origem no ACAL e UCIM ( MIN SAÚDE- INAN 1973) e CSU - IPEA- 1976 A 81. Nestes programas o alimento era oferecido toda semana, em cesta básica, alm de terem atendimento médico, odontológico , capacitação profissional e outros serviços : biblioteca, grupos musicais, laboterapia etc.Tendo sempre acompanhamento dos profissionais em número suficiente . [e isso aí Deus abençoe vc. bjs

Lúcia Soares disse...

Crica, tanta coisa pra se falar, do que está certo e errado, mas melhor nos focarmos em mudanças, que precisam ser feitas. Dar assistências aos mais necessitados é constitucional, todo governo tem que dar. O que não pode é dar o peixe, continuamente. Tem que ensinar a pescar, dando escolas, oferecendo emprego, etc. Não quer? Retira-se a bolsa, mas é simples demais! Enfim, o que me incomodou demais nesse governo foi a corrupção. Que é inerente ao Estado e ao Poder, desde que o mundo é mundo e em qualquer país. Mas não tão acintosamente, como fizeram. Pelo menos tem que ser "aquele que rouba, mas faz". E cabe a cada um, como cidadão que paga as contas da nação, observar esses políticos, ficar de cima, exigir ações e não bla bla bla. Um dia a coisa anda, se Deus quiser!
Beijo, boa semana e sucesso nos resultados do estudo.