sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Saí ilesa da baixaria do processo eleitoral

Oi gente.
Sexta feira mais que esperada. Ou não. Porque esse é o fim de semana da elei-cão. Dei esse nome (tadinhos dos cachorrinhos que eu amo por sinal) porque o debate virou coisa do capeta ou algo semelhante. Aliás, deixa eu consertar: não houve debate, houve achaque, barraco, falta de respeito, fim de amizade (não consigo ainda acreditar nisso...).
Desde que tal clima começou logo depois da Copa do Fundo do Poço, eu tomei uma decisão: a de que não ia JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, me aborrecer com esse assunto.
Tenho formação política de esquerda. Uma faculdade pública de serviço social jamais seria diferente né. Mas não foi ela que me fez ser. Através dela só instrumentalizei o pensamento. Ela me deu ferramentas teóricas para a prática que já existia na minha trajetória. Aprendi que eu tinha uma práxis de vida, que é a atividade humana que dialoga e interpenetra a teoria e vice-versa. Mas deixemos de academicismos.
O fato é que minha decisão me fez muito bem. Apesar de que me senti atacada e ofendida MUITAS vezes no facebook, rede social que eu mais estou presente. Mas decidi não retribuir porque como eu disse, não seria debate, seria porradaria.
Não porque sou superior a ninguém, mas simplesmente porque já fui uma pessoa que senti muito ódio nessa vida e decidi que nenhuma discussão política rasa e de péssima qualidade me faria ter esse veneno dentro de mim. Porque a gente se irrita. E muito. Tem vontade de matar. De bloquear. De excluir. De mandar pra Ohio (que o parta).
Estamos no ponto ridículo do discurso maniqueísta, e não se faz um país assim. Nenhum político que tenha poder consegue não ser corrupto, infelizmente. Rarésimas exceções. E não to aqui fazendo discurso de "rouba, mas faz".  De jeito nenhum. O ideal da vida seria ninguém roubar, ninguém, matar, ninguém maldizer ou lançar falso testemunho contra outrem. O ideal seria ninguém votar, porque é melhor do que votar com todo esse ódio.
Ou seja: há mais coisas do que pensa a nossa vã filosofia política de botequim.
Segundo turno: coisa difícil. Ódios acirrados. Dedos em riste e acusações de todos os lados.
Mas eu tenho a consciência de que não contribuí pro debate rasteiro e muitas vezes mentiroso de todos os lados. Pode parecer para alguns que me omiti. Mas não. Coloquei matérias e pesquisas em meu perfil apenas as que achei que valeriam de um esclarecimento, como o Bolsa Família, tão atacado mas que agora vai ser mantido pelo PSDB se for eleito. Nego não é bobo. Nego quer voto. E só. Dane-se o resto. E que tem sido usado de forma eleitoreira pelo PT sim. Mas o que na minha parca opinião ninguém pode desdizer é que hoje se tem pobres e muitos ainda, mas com mais esperança e perspectivas. Com mais emprego. Saúde precária. Educação idem. Mas avanços levam tempo. Mais de uma geração até. E lutemos para que eles cheguem.
Tenho MUITAS críticas. Muitas. Minha dissertação de mestrado deu 140 páginas delas só no setor da Pós-Graduação no país. Imagina em relação a tantos outros temas de extrema importância.
O fato é que precisamos estar dispostos a discutir. O que quer dizer argumentar, e não atacar e ofender. Isso todos os lados fizeram e tem sido vergonhoso. Mostra como precisamos aprender a discutir o que quer que seja de que discordemos, porque o sangue sobe e toda a lógica se esvai ralo abaixo.
Não tem sido fácil ficar calada. Não tem sido fácil falar. E tem sido ridículo ter medo de ficar calada ou de falar porque a gente sabe que vai receber o discurso violento do ódio, dizendo ou que a gente é omisso ou burro por pensar o que pensa.
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.
Boa eleição pra todos, se é que será possível.
Fui!


domingo, 5 de outubro de 2014

Não votei em Dilma

Já fui petista roxa. Vermelha. Laranja. Hoje não mais.

E não é por decepção, porque não coloco a minha fé na humanidade neste nível. Não mais.

Já fiz campanha de rua, já coloquei placa em casa. Votei em Lula duas vezes.

Não me arrependo. Isso mesmo. Not at all.

Mas simplesmente hoje enxergo alguns horizontes diferentes do que antes. Acho saudável o poder mudar de mãos. Uma democracia só tem sentido se tiver o sopro das mudanças.

Não votei em Dilma. Aliás, nunca votei nela.

Mas continuo partidária de iniciativas como os programas de transferência de renda que, aliás, quem foi arauto por essas bandas foi o Eduardo Suplicy, um dos políticos que admiro. Os programas que de alguma maneira defendem os trabalhadores da terra também me fazem acreditar que o país olha pros mais pobres e trabalhadores.

O fato de pessoas de origem mais humilde terem incentivos pra mudar de vida me deixa mais feliz como cidadã. Acompanho o Bolsa Família desde sua estréia e sei dos inúmeros benefícios que ele trouxe. E concordo que o maior malefício seja ele ser usado como moeda eleitoreira. E que tem os malandros e as mulheres que querem reproduzir pra viver de renda. Mas isso não acontece apenas no Brasil. Nos EUA já vai pra quinta geração que vive na vagabundagem com auxílio do governo, por exemplo. Não sou ingênua nem vivo no país das maravilhas. Mas sou assistente social e sei do que estou falando. Minha própria família teve a conquista da casa própria no governo lulista. Por isso sou grata. Poderia ser outro? Claro que poderia. Não sou lulete. Mas foi no governo de Lula,  principalmente no primeiro governo, que os ideais republicanos vigoraram a todo vapor. Sou feliz por ter feito parte dessa história.

Mas sei que o poder e o capital, o dinheiro mesmo, são capazes de nos embaçar o juízo e nos apodrecer. Foi assim com o PSDB, foi assim com o PT. O PMBD, então, ajudou a sedimentar a corrupção por essas bandas brasilis. Quem ganhar, sempre tem o apoio do PMDB, um partido que não tem vergonhá na cara. Mas não estou aqui pra falar de partido.

A internet nos deu a visibilidade em tempo real que é boa, mas é a maior fábrica de mentira e mesquinharia tb. Procuro ficar atenta, filtrar, acompanhar, ver a fonte. Claro que nem sempre isso é possível. Mas não fico medindo nada pela mídia veja-globo-folha-estadão. Vou procurar outras fontes também.

O Brasil clama por mudanças. Que elas venham. Mas que não atropelem os mais necessitados. Esses precisam de assistência sim, e incentivo.

Eu espero que  meu voto tenham servido pra algo. Serviu sim. Pra movimentar a democracia. Essa sim, precisa sempre de uma sacudida. E acho que independente do resultado, a luta tá sendo boa pro Brasil.

E vambora que a vida não espera.

Quem sabe faz a hora. Faça os acontecer.