terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Antiautoajuda para 2015

"Não tenho certeza se esse ano vai acabar. Tenho uma convicção crescente de que os anos não acabam mais. Não há mais aquela zona de transição e a troca de calendário, assim como de agendas, é só mais uma convenção que, se é que um dia teve sentido, reencena-se agora apenas como gesto esvaziado. Menos a celebração de uma vida que se repactua, individual e coletivamente, mais como farsa. E talvez, pelo menos no Brasil, poderíamos já afirmar que 2013 começou em junho e não em janeiro, junto com as manifestações, e continua até hoje. Mas esse é um tema para outra coluna, ainda por ser escrita. O que me interessa aqui é que nossos rituais de fim e começo giram cada vez mais em falso, e não apenas porque há muito foram apropriados pelo mercado. Há algo maior, menos fácil de perceber, mas nem por isso menos dolorosamente presente. Algo que pressentimos, mas temos dificuldade de nomear. Algo que nos assusta, ou pelo menos assusta a muitos. E, por nos assustar, em vez de nos despertar, anestesia. Talvez para uma época de anos que, de tão acelerados, não terminam mais, o mais indicado seja não resoluções de ano-novo nem manuais sobre ser feliz ou bem sucedido, mas antiautoajuda.

Quando as pessoas dizem que se sentem mal, que é cada vez mais difícil levantar da cama pela manhã, que passam o dia com raiva ou com vontade de chorar, que sofrem com ansiedade e que à noite têm dificuldade para dormir, não me parece que essas pessoas estão doentes ou expressam qualquer tipo de anomalia. Ao contrário. Neste mundo, sentir-se mal pode ser um sinal claro de excelente saúde mental. Quem está feliz e saltitante como um carneiro de desenho animado é que talvez tenha sérios problemas. É com estes que deveria soar uma sirene e por estes que os psiquiatras maníacos por medicação deveriam se mobilizar, disparando não pílulas, mas joelhaços como os do Analista de Bagé, do tipo “acorda e se liga”. É preciso se desconectar totalmente da realidade para não ser afetado por esse mundo que ajudamos a criar e que nos violenta. Não acho que os felizes e saltitantes sejam mais reais do que o Papai Noel e todas as suas renas, mas, se existissem, seriam estes os alienados mentais do nosso tempo.

Olho ao redor e não todos, mas quase, usam algum tipo de medicamento psíquico. Para dormir, para acordar, para ficar menos ansioso, para chorar menos, para conseguir trabalhar, para ser “produtivo”. “Para dar conta” é uma expressão usual. Mas será que temos de dar conta do que não é possível dar conta? Será que somos obrigados a nos submeter a uma vida que vaza e a uma lógica que nos coisifica porque nos deixamos coisificar? Será que não dar conta é justamente o que precisa ser escutado, é nossa porção ainda viva gritando que algo está muito errado no nosso cotidiano de zumbi? E que é preciso romper e não se adequar a um tempo cada vez mais acelerado e a uma vida não humana, pela qual nos arrastamos com nossos olhos mortos, consumindo pílulas de regulação do humor e engolindo diagnósticos de patologias cada vez mais mirabolantes? E consumindo e engolindo produtos e imagens, produtos e imagens, produtos e imagens?

A resposta não está dada. Se estivesse, não seria uma resposta, mas um dogma. Mas, se a resposta é uma construção de cada um, talvez nesse momento seja também uma construção coletiva, na medida em que parece ser um fenômeno de massa. Ou, para os que medem tudo pela inscrição na saúde, uma das marcas da nossa época, estaríamos diante de uma pandemia de mal-estar. Quero aqui defender o mal-estar. Não como se ele fosse um vírus, um alienígena, um algo que não deveria estar ali, e portanto tornar-se-ia imperativo silenciá-lo. Defendo o mal-estar – o seu, o meu, o nosso – como aquilo que desde as cavernas nos mantém vivos e fez do homo sapiens uma espécie altamente adaptada – ainda que destrutiva e, nos últimos séculos, também autodestrutiva. É o mal-estar que nos diz que algo está errado e é preciso se mover. Não como um gesto fácil, um preceito de autoajuda, mas como uma troca de posição, o que custa, demora e exige os nossos melhores esforços. Exige que, pela manhã, a gente não apenas acorde, mas desperte.

Anos atrás eu escreveria, como escrevi algumas vezes, que o mal-estar desta época, que me parece diferente do mal-estar de outras épocas históricas, se dá por várias razões relacionadas à modernidade e a suas criações concretas e simbólicas. Se dá inclusive por suas ilusões de potência e fantasias de superação de limites. Mas em especial pela nossa redução de pessoas a consumidores, pela subjugação de nossos corpos – e almas – ao mercado e pela danação de viver num tempo acelerado.

Sobre essa particularidade, a psicanalista Maria Rita Kehl escreveu um livro muito interessante, chamado O Tempo e o Cão (Boitempo), em que reflete de forma original sobre o que as depressões expressam sobre o nosso mundo também como sintoma social. Logo no início, ela conta a experiência pessoal de atropelar um cachorro na estrada – e a experiência aqui não é uma escolha aleatória de palavra. Kehl viu o cachorro, mas a velocidade em que estava a impedia de parar ou desviar completamente dele. Conseguiu apenas não matá-lo. Logo, o animal, cambaleando rumo ao acostamento, ficou para trás no espelho retrovisor. É isso o que acontece com as nossas experiências na velocidade ditada por essa época em que o tempo foi rebaixado a dinheiro – uma brutalidade que permitimos, reproduzimos e com a qual compactuamos sem perceber o quanto de morte há nessa conversão.

Sobre a aceleração, diz a psicanalista: “Mal nos damos conta dela, a banal velocidade da vida, até que algum mau encontro venha revelar a sua face mortífera. Mortífera não apenas contra a vida do corpo, em casos extremos, mas também contra a delicadeza inegociável da vida psíquica. (...) Seu esquecimento (do cão) se somaria ao apagamento de milhares de outras percepções instantâneas às quais nos limitamos a reagir rapidamente para em seguida, com igual rapidez, esquecê-las. (...) Do mau encontro, que poderia ter acabado com a vida daquele cão, resultou uma ligeira mancha escura no meu para-choque. (...) O acidente da estrada me fez refletir a respeito da relação entre as depressões e a experiência do tempo, que na contemporaneidade praticamente se resume à experiência da velocidade”. O que acontece com as manchas escuras, com o sangue deixado para trás, dentro e fora de nós? Não são elas que nos assombram nas noites em que ofegamos antes de engolir um comprimido? Como viver humanamente num tempo não humano? E como aceitamos ser submetidos à bestialidade de uma vida não viva?

Hoje me parece que algo novo se impõe, intimamente relacionado a tudo isso, mas que empresta uma concretude esmagadora e um sentido de urgência exponencial a todas as questões da existência. E, apenas nesse sentido, algo fascinante. A mudança climática, um fato ainda muito mais explícito na mente de cientistas e ambientalistas do que da sociedade em geral é esse algo. A evidência de que aquele que possivelmente seja o maior desafio de toda a história humana ainda não tenha se tornado a preocupação maior do que se chama de “cidadão comum” é não uma mostra de sua insignificância na vida cotidiana, mas uma prova de sua enormidade na vida cotidiana. É tão grande que nos tornamos cegos e surdos.

Em uma entrevista recente, publicada como “Diálogos sobre o fim do mundo”, o antropólogo Eduardo Viveiros de Castro evoca o pensador alemão Günther Anders (1902-1992) para explicar essa alienação. Anders afirmava que a arma nuclear era uma prova de que algo tinha acontecido com a humanidade no momento em que se mostrou incapaz de imaginar os efeitos daquilo que se tornou capaz de fazer. Reproduzo aqui esse trecho da entrevista: “É uma situação antiutópica. O que é um utopista? Um utopista é uma pessoa que consegue imaginar um mundo melhor, mas não consegue fazer, não conhece os meios nem sabe como. E nós estamos virando o contrário. Nós somos capazes tecnicamente de fazer coisas que não somos nem capazes de imaginar. A gente sabe fazer a bomba atômica, mas não sabe pensar a bomba atômica. O Günther Anders usa uma imagem interessante, a de que existe essa ideia em biologia da percepção de fenômenos subliminares, abaixo da linha de percepção. Tem aquela coisa que é tão baixinha, que você ouve mas não sabe que ouviu; você vê, mas não sabe que viu; como pequenas distinções de cores. São fenômenos literalmente subliminares, abaixo do limite da sua percepção. Nós, segundo ele, estamos criando uma outra coisa agora que não existia, o supraliminar. Ou seja, é tão grande, que você não consegue ver nem imaginar. A crise climática é uma dessas coisas. Como é que você vai imaginar um troço que depende de milhares de parâmetros, que é um transatlântico que está andando e tem uma massa inercial gigantesca? As pessoas ficam paralisadas, dá uma espécie de paralisia cognitiva”.

O fato de se alienar – ou, como fazem alguns, chamar aqueles que apontam para o óbvio de “ecochatos”, a piada ruim e agora também velha – nem impede a corrosão acelerada do planeta nem a corrosão acelerada da vida cotidiana e interna de cada um. O que quero dizer é que, como todos os nossos gritos existenciais, o fato de negá-los não impede que façam estragos dentro de nós. Acredito que o mal-estar atual – talvez um novo mal-estar da civilização – é hoje visceralmente ligado ao que acontece com o planeta. E que nenhuma investigação da alma humana desse momento histórico, em qualquer campo do conhecimento, possa prescindir de analisar o impacto da mudança climática em curso.

De certo modo, na acepção popular do termo “clima”, referindo-se ao estado de espírito de um grupo ou pessoa, há também uma “mudança climática”. Mesmo que a maioria não consiga nomear o mal-estar, desconfio que a fera sem nome abra seus olhos dentro de nós nas noites escuras, como o restante dos pesadelos que só temos quando acordados. Há esse bicho que ainda nos habita que pressente, mesmo que tenha medo de sentir no nível mais consciente e siga empurrando o que o apavora para dentro, num esforço quase comovente por ignorância e anestesia. E a maior prova, de novo, é a enormidade da negação, inclusive pelo doping por drogas compradas em farmácias e “autorizadas” pelo médico, a grande autoridade desse curioso momento em que o que é doença está invertido.

São Paulo é, no Brasil, a vitrine mais impressionante dessa monumental alienação. A maior cidade do país vem se tornando há anos, décadas, um cenário de distopia em que as pessoas evoluem lentamente entre carros e poluição, encurraladas e cada vez mais violentas nos mínimos atos do dia a dia. No último ano, a seca e a crise da água acentuaram e aceleraram a corrosão da vida, mas nem por isso a mudança climática e todas as questões socioambientais relacionadas a ela tiveram qualquer impacto ou a mínima relevância na eleição estadual e principalmente na eleição presidencial. Nada. A maioria, incluindo os governantes, sequer parece perceber que a catástrofe paulista, que atinge a capital e várias cidades do interior, é ligada também à devastação da Amazônia. O tal “mundo como o conhecemos” ruindo e os zumbis evolucionando por ruas incompatíveis com a vida sem qualquer espanto. Nem por isso, ouso acreditar, deixam sequer por um momento de ser roídos por dentro pela exterioridade de sua condição. A vida ainda resiste dentro de nós, mesmo na Zumbilândia. E é o mal-estar que acusa o que resta de humano em nossos corpos."

Eliane Brum, para o jornal El País.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

Ano Novo e mais do mesmo

Ano terminando e não tem muito jeito: todas as rodas de conversa incluem o assunto "o que vc não realizou?" "Que meta vc não conseguiu cumprir?". Somos guiados pelo calendário e queremos estar quites com o universo a cada dia 31 de dezembro.

Ainda bem que isso não é possível. O quê? Pagar todas a dívidas com a vida. Graças a Deus deixamos coisas pendentes, não realizamos tudo que pretendemos, senão não teria a menor graça. Peraí. Não tô aqui fazendo o discurso da derrota nem aplaudindo o comodismo. Apenas dizendo que quando deixamos de desejar, paramos de viver. Mesmo que continuemos existindo.

O desejo é o que nos move. Quando desejamos nosso corpo e mente se juntam no esforço de alcançar o objetivo. Sabe o atleta? Nessa vibe. Ele se supera para alcançar milésimos, e a cada um ele comemora como se tivesse nascido de novo.

Isso precisamos aprender com os atletas. A nos orgulharmos das pequenas conquistas, essas que fazem o nosso cotidiano. Claro que as grandes metas são parte do plano, mas elas são feitas de muitas minimetas que podemos alcançar no dia a dia.

A vida não é fácil, todo mundo sabe. Mas se você precisa perder 30 kg, por exemplo, comece com uma meta de 5 e ficará muito satisfeito ao alcançá-la e motivado para a fase seguinte. Fase sim. Pois a vida funciona como aquele vídeo game come-come: se correr o bicho pega, se ficar, ferrou.

Se você quer voltar a estudar e isso demanda dinheiro que você não tem, você pode começar a pesquisar o assunto de seu interesse pela internet. Ela está aí pra nós beneficiar, embora esteja nos fazendo mais mal do que bem.

Se você quer conhecer pessoas, não adianta ficar trancado dentro de casa. Procure sua turma. Garanto que o máximo que pode acontecer é você fazer amigos. Nada mal.

Se você tem uma meta inatingível no trabalho, transforme-a em milhares de minimetas e faça um check list. Vai dando um ok em cada item finalizado. A sensação é de andar pra frente, mesmo que devagarinho. Quem precisa correr comesse calor, afinal?

É isso serve pra quase tudo na vida.

Esse ano foi de luta pra todo mundo, com certeza. Mas ao invés de ficar lamuriando e deprimido com o que você não fez, veja se não é apenas pena de si mesmo. Com certeza você fez algo de bom e caminhou em alguma direção. Se considera que foi a direção errada, mude o rumo. A vida é sua. Agarre-a com todas as suas forças. Só você pode fazer da sua vida algo que valha a pena ser dividida com outrem.

Não falei nada de novo aqui. Mais do mesmo. Mas não custa repetir.

E vamos rumo ao réveillon.

Beijos.

Fui!

terça-feira, 25 de novembro de 2014

Você tem medo de quê?

O intuito aqui não especificamente falar do transtorno do pânico, embora seja coerente fazê-lo.

Ohhhh o que é isso?

Uma doença que deixa a pessoa com ansiedade fora do limite normal suportado pelo corpo que gera crises de várias coisas que podem vir separadas ou juntas: desmaio ou sensação de, vontade de vomitar, falta de ar, suor excessivo, ondas de calor, dor de barriga, sensação de choque pelo corpo, e de morte iminente. O ataque dura cerca de 45 min, tem seu auge nos 10 ou 15, e a descarga de adrenalina desordenada vai baixando. Depois dá um cansaço de quem correu uma maratona.

Enfim.

Nem todo medo é patológico. O medo faz parte de se sentir vivo.

Temos medo de quase tudo, cada um com suas particularidades. De escuro, de dormir sozinho, de não ser amado. Esse medo todos temos.
Temos medo de não agradar, de ser rejeitados, de levar um fora do ser amado, de imaginar como nossos filhos viverão nesse mundo que beira o colapso.

Medo é relativamente normal. Só precisamos ter cuidado com o que ele pode se transformar. Por um lado, o transtorno de ansiedade que redunda num pânico é péssimo; por outro, mascarar nosso medo pode nos levar a ser mascarados no sentido lato: pessoas opacas, que não se mostram. E mais: podemos ficar arrogantes porque queremos a todo custo esconder um medo atroz da vida, podemos ficar mesquinhos diante da vitória de uma amigo numa coisa que fracassamos. O medo pode nos deixar com o caráter distorcido. Podemos colocar o rótulo de preguiçoso em alguém que tem medo de mudanças. Podemos rotular de promíscuo alguém que tem medo de ter um relacionamento sério e se machucar muito e fica "pulando de galho em galho". Podemos rotular de chata a nossa mãe que tem medo que a gente sofra na vida.

O medo se traveste de várias coisas. Normalmente de cunho negativo, pois ele é um sentimento dessa natureza. Mas como ter medo na medida certa, se é que isso é algo possível?

O medo necessário é aquele que te permite avaliar e seguir em frente. E ver os contras das situações mas achar os prós mais valiosos. O medo na medida certa é aquele que te impede de magoar alguém, de pisar no colega de trabalho, de aceitar suborno seja que natureza for, de se aproveitar de uma situação hierárquica em proveito próprio. O medo é bom. Quando ele nos paralisa para caminhar na vida é que se torna um sinal de que ele está numa medida a mais do que deveria. E é contra isso que devemos lutar.

Porque viver dá medo mesmo. Ter filho dá medo. Ter sucesso da medo. Casar dá medo. Separar dá medo. Pedir demissão dá medo. Sair da casa dos pais dá medo. Voltar pra casa deles também dá. Viajar a trabalho dá medo. Mudar de país dá medo.

Nascer é a primeira sensação de medo do ser humano. Mas é esse ato que os põe na cena da vida.

E você, tem medo de quê?

quarta-feira, 19 de novembro de 2014

Desapego da expectativa!

No mundo de hohe estamis todos extremamente ansiosos. Temos dificuldades em viver o presente. A mente insiste em dar um pulinho ali no futuro a cada meia hora. Haja nervos.
Ou seja: qualquer plano, desde a viagem de um filho até o cineminha do fim de semana gera comichões, coceiras, azias e afins. Não é fácil. É bom qua do se passa ter mais consciência desses saltos emocionais e se tenta manter o espirito no aqui. No agora. E não é fácil. Mas é algo que se pode aprender.
Ansiosos assumidos  odeiam esperar. Haja coração.
O fato é que fica-se ansioso por tudo. Uma gana de não perder as coisas que podem acontecer. A mente num estado de alerta insuportável, até pro corpo. Uma gastrite que dura 30 anos que o diga, pois o corpo é o foco da ansiedade histérica. Para ter saúde emocional é necessário tentar se desapegar de tanta expectativa. Afinal vamos acabar com a fome no mundo com essa sangria desatada?
Com um processo intenso de análise pode-se ter um pouco mais de sucesso. No sentido analítico a gente vai aprendendo que se pode fazer mais de um plano pras coisas da vida pra não obrecarregarem porque achamos que só temos uma opção. Porque na verdade temos várias. Se uma coisa não deu, outra dará. Se essa outra furar, encontra-se outra. Movidos pelo desejo que nos causa, vamos deslocando nossos objetos desse próprio desejo. Uns planos podem dar certo, outros ficam engavetados, outros esperando decisões  e comprometimento envolvidos. Faz parte de nossa escolha decidir se não vamos mais ficar à beira de um ataque de nervos enquanto as cobras nao acontecem. Mesmo porque pode-se ler um bom livro nesse meio tempo.
"Deixemos de coisa" e cuidemos de não ser arrastados sem ter visto a vida.

quarta-feira, 12 de novembro de 2014

Ai meu coraçãoooooooo!!!

Gente, ontem foi um acontecimento na minha vida. Um dia de tanta emoção que parece que não caiu a ficha até agora.
Ainda não chorei, não gritei de alegria. Estou com medo de mim.
Aos amigos do facebook esse post será meio repetitivo, mas aqui eu gosto de escrever mais.
Acordei com meu marido chorando que nem criança, soluçando. Imaginaram um mamute fazendo tal coisa? Pois é. Realiza o ser de 2x2, só de underwear ( termo mais chique pra não expor mais a criatura) vindo na sua direção, vc tendo acabado de abrir os olhos e ainda deitada na cama. Foi essa a cena.
Morreu alguém? Ganhamos na Mega-Sena sem jogar?
Não. Saiu a sentença da adoção da minha Inessa, que agora depois de 5 anos de processo passa a se chamar Inessa Cristina de Carvalho Viegas. Nome de vilã de novela mexicana. Amei.
Eu só consegui abraçar meu mamute e consolá-lo, pois pensei que ele ia ter um troço. Sou uma pessoa que faz análise há uma década, por isso sou menos descompensada que ele, coitado, que só conta com o horóscopo diario.
Mas sei que senti uma onda de adrenalina me invadindo igual nas crises de pânico, mas que dessa vez não ativou a parte ruim da coisa. Uma emoção enorrrmeeeee. Alegria que não sei descrever, pois foi uma espera longa, e semana passada eu disse: "Deus, eu tô exausta com essa espera".
Marido ficou cerca de 3 horas chorando e rindo. Não falei que era descompensado? E eu de olho, porque se desse um surto eu já tinha todo o plano de amarrar e levar pro médico, com um rivotril embaixo da língua. Dele, claro.
Ficamos extasiados, felizes. Ligamos pra família, avisamos aos amigos, todos se alegraram com a gente. Ele no meio do choro quis fazer churrasco. Aceitei porque senão podia levar uma facada, sei lá. A pessoa tava surtada.
Passadas algumas horas meu irmão me liga dizendo que eu tinha sido aprovada nas duas provas escritas para o doutorado. Eu ia na universidade pra ver o resultado. Idiota. Esqueci que se vê essas coisas pela internet. Ainda bem que tenho nerd na família.
Passei pra entrevista, que é a última etapa na semana que vem.
Aí eu pergunto. Pra que fui arrumar essa joça? Agora tô me cagando.
De fralda geriátrica ou não, o fato é que a noite foi uma festa, o tal churras com os amigos foi uma delîcia, e chamar minha neguinha de Inessa Cristina pela primeira vez não tem preço. Ela ficou muito 'selizzz' (sim, ela troca letras, afinal tem 5 anos) por ter o nome da mamãe. E eu num orgulho chamando por nome composto que sempre odiei. Pagando a língua.
E eu tô aqui. Sem chorar ainda. Não é de dar um ódio isso?
É isso.
Tão feliz, tão feliz. Tão felizzzzzzzzzzz.
Bjocas
Fui!


segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Seja uma mãe ruim, por favor!!!

Não gosto muito de passo-a-passo ou receitas ou coisas sistematizadas para todo mundo já que cada ser é único. Mas achei esse muito legal  texto sobre a complicada maternidade nos dias atuais pra fazer a gente refletir. De Megan Wallgreen.

Aqui estão 12 maneiras de ser a pior mãe do mundo

1. Faça seus filhos irem para a cama a uma hora razoável

Será que existe alguém que não tenha ouvido o quão importante uma boa noite de sono é para o sucesso de uma criança? Faça seu papel de mãe e coloque seu filho na cama. Ninguém nunca disse que a criança tinha que querer ir para a cama. Eles podem brigar no início, mas com persistência, eles aprenderão que você está falando sério. E depois é só aproveitar para ter um tempo só seu ou para o casal.

2. Não dê a seus filhos sobremesa todos os dias

Doces devem ser guardados para ocasiões especiais. Isso é o que os deixa mais gostosos. Se você ceder às exigências de seu filho de ter doces o tempo todo, ele não vai apreciar o gesto quando alguém lhe oferecer um doce como recompensa ou presente. Além disso, imagine quanto isso pode custar caro quando o levar ao dentista e ao médico.

3. Faça-o pagar por suas próprias coisas

Se você quer algo, você tem que pagar por aquilo. É assim que funciona a vida adulta. Para conseguir tirar seus filhos do porão no futuro você precisa ensiná-los agora que eletrônicos, filmes, videogames, esportes e acampamentos que eles gostam têm um preço. Se eles tiverem que pagar tudo ou pelo menos parte do preço eles irão apreciar mais. Você também pode evitar pagar por algo que seu filho queira somente até conseguir aquilo. Se ele não está disposto a ajudar a pagar pelo menos metade, ele provavelmente não queira aquilo tanto assim.

4. Não mexa os pauzinhos

Alguns jovens têm dificuldade quando começam a trabalhar e percebem que as regras também se aplicam a eles. Eles precisam chegar no horário e fazer o que o chefe mandar. E (ai, ai!) parte do trabalho eles nem gostam de fazer. Se você não gosta do professor do seu filho, do seu parceiro de ciências, sua posição no campo de futebol ou no ponto de ônibus evite a tentação de mexer os pauzinhos para que seu filho consiga as coisas do jeito que ele preferir. Você está roubando a chance do seu filho de tirar o melhor e aprender com a situação. Lidar com uma situação menos que ideal é algo que ele terá que fazer o tempo todo na vida adulta. Se a criança nunca aprender a lidar com isso, você a está levando ao fracasso.

5. Faça-o fazer coisas difíceis

Não interfira automaticamente e tome conta quando as coisas se tornarem difíceis. Nada dá a seus filhos um melhor impulso de confiança do que não fugir do problema e realizar algo difícil por eles mesmos.

6. Dê um relógio e um despertador

Seu filho estará melhor se aprender as responsabilidades de controlar seu próprio tempo. Você não estará sempre lá para pedir pra ele desligar a TV e ir para seus compromissos.

7. Não compre sempre o melhor e o mais recente

Ensine seus filhos a terem gratidão e satisfação pelo que eles têm. Estar sempre preocupado com o próximo grande lançamento e quem já o tem vai levá-los a uma vida de dívidas e infelicidade.

8. Deixe-o experienciar a perda

Se seu filho quebrar um brinquedo, não compre um novo para substituí-lo. Ele vai aprender uma valiosa lição sobre cuidar de suas coisas. Se seu filho esquecer de entregar uma tarefa na escola, deixe-o ficar com uma nota mais baixa ou faça-o ir conversar por si mesmo com a professora sobre conseguir crédito extra. Você estará ensinando responsabilidade - quem não quer filhos responsáveis? Eles podem ajudá-la a se lembrar de todas as coisas que você se esquece de fazer.

9. Controle a mídia

Se todos os outros pais deixassem seus filhos pularem de uma ponte você também deixaria? Não deixe seu filho assistir a um filme ou jogar um videogame que seja inapropriado para crianças só porque as outras crianças o fizeram. Se você defender e lutar por manter a educação decente de seus filhos outros podem seguir suas ações. Crie uma pressão positiva.

10. Faça-o se desculpar

Se seu filho fizer algo errado, faça-o confessar e enfrentar as consequências. Não varra a grosseria, bullying, ou desonestidade pra debaixo do tapete. Se você errar, dê o exemplo e encare as consequências de seu erro.

11. Importe-se com suas maneiras

Até mesmo crianças pequenas podem aprender as noções básicas de como tratar outro ser humano com respeito e dignidade. Ao fazer da boa educação um hábito você estará fazendo a seus filhos um grande favor. Boas maneiras é o caminho certo para conseguir o que você quer. "Você pega mais moscas com mel do que com vinagre."

12. Faça-o trabalhar - de graça

Seja ajudando a avó no jardim ou voluntariando-se para ser tutor de crianças mais novas, faça o serviço parte da vida de seus filhos. Isso os ensina a olhar além de si mesmos e ver que outras pessoas também têm necessidades e problemas - às vezes maior do que sua própria.

Com todo o tempo que você passar sendo má, não se esqueça de elogiar e recompensar seu filho por comportamento excepcional. E sempre se certifique que eles saibam que você os ama. Com um pouco de sorte, seus filhos podem virar o jogo e fazer sua geração conhecida por sua espera

sexta-feira, 7 de novembro de 2014

Mãe profissional

Este post pode desinteressar. Fique à vontade. Aqui é minha opinião e ninguém é obrigado a concordar com ela. Vou falar do que ser mãe foi e é pra mim.
Desde que me tornei mãe essa função tomou conta da minha vida.
Não pude delegar a criação de meus filhos a terceiros, e digo que sofri uns anos com isso. Verdade. Eu me sentia presa e irrealizada.
Meus filhos foram educados por mim. Nunca achei que a escola tivesse essa obrigação. Meu marido viajava muito a trabalho e ai era eu e eu mesma.
Me lembro de nas tempestades onde faltava luz algumas vezes os coloquei sentados na janela da sala pra varanda pra ver as explosões, raios e trovões. "Mamãe, agora vem o barulhão!" . "E depois vem a luzona, filho...olha...brummmm". Me cagando de medo. Marido não ia chegar. Mas eu sentia que eles precisavam se sentir seguros, meus dois bebês.
Perdi a conta das noites sem dormir, das festinhas chatas na escola, das apresentações de fim de ano todas iguais. Eu odiava cada uma delas. Sempre fui muito tímida e detestava essas ocasiões que eu era obrigada a socializar.
Enfim. Nem sempre gostei de ser mãe. A gente não tem individualidade. Vira mãe. Mas estive presente em cada passinho, em cada febre, em todas as idas ao hospital. E isso fez tudo valer a pena.
Durante 20 anos fiz parte do clube mães em tempo integral. E isso me fez ter alguma experiência que hoje posso passar pras amigas mais jovens com filhos pequenos.
Já perdi casamento porque fui toda vomitada na porta de casa, me enfureci e não saí. Já virei bicho em reunião de escola quando um dos dois estava passando por algo que era obrigação da escola se posicionar, como bullying, que é a palavra da moda.
Já briguei com sogra por causa de filho. Já briguei com minha mãe e disse "não se mete que neles mando eu". Já fiquei com ódio de marido por bater neles, só quem podia bater era eu. Coisas de mãe.
Minha vida profissional de fato começou em 2009, dei mais uma parada quando tive a terceira filha, e retornei para fazer mestrado em 2011. Descobri  minha vocação tardiamente.. Corri atrás de um tempo que achei que tava perdido, mas entendi que tudo acontece na hora certa. Eu não teria a maturidade necessária pra exercer a profissão que escolhi, e que hoje me deixa livre pra fazer meu horário. Tá certo que não vou ficar rica. Não se pode ter tudo né.
Nesse turbilhão, consegui concluir meu mestrado e passei pro doutorado (este post foi atualizado em 8/8/2015), pois estudar é o que me move. Meu intelecto precisa de oxigênio dos livros todos os dias. Quando eu leio volto a respirar.
Pra que eu escrevi isso? Sei lá. Talvez pra dizer pra mim mesma que a maternidade, apesar de toda a dor que é, também é uma delícia. O orgulho de ouvir "seus filhos são tão educados" é todo meu. A cada palmada (hoje não pode mais, né...mas que funcionou, funcionou mesmo), a cada dever de casa sofrido, a cada remédio pra dor de barriga, a cada dia que passou nessa nossa jornada de 20 e poucos anos eu me tornei quem sou hoje. E acho que me tornei alguém melhor e devolvo ao mundo pessoas que conseguem enxergar a necessidade do próximo e ter empatia e solidariedade. Quer prêmio maior que este?

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Você se veste de escravidão?

Ando muito preocupada com essa coisa do trabalho escravo ou análogo na indústria de roupas. Como toda mulher, gosto de comprar roupas, sapatos, acessórios. Mas essa questão tem me incomodado muito.
Ontem mesmo falava com marido no carro que estou com vontade de subir a serra e passar a comprar minhas roupas em Petrópolis, onde tem a rua Teresa, um dos maiores polos de moda aqui do leste fluminense. Pesquiso muito sobre esse assunto é já deixei de comprar na Zara, agora soube da Marisa que vou cortar da lista. O que me impressiona é que grifes caríssimas se utilizam dessa barbárie pra funcionar. E ficamos cegos nesse impulso consumista, compramos tudo da China. Fiz uma única compra no Ali Express pra nunca mais. Mas a gente vai ficando espremido sem saber o que fazer, ainda mais que eu sou plus SIZE e aí as opções são mais raras ainda.
Procuro acompanhar as notícias sobre o assunto e ver se alguma loja em que compro tem alguma denúncia a esse respeito. Não posso abarcar toda a indústria, óbvio, mas à medida que fico sabendo vou cortando da lista. Tenho procurado olhar as etiquetas pra ver onde é fabricado. Se é na China ou na Índia penso mil vezes e acabo não levando porque sei o regime que eles usam lá. Mas só posso trabalhar com o que sei né. Mesmo porque em Sampa e mesmo no subúrbio do Rio de Janeiro ocorre isso tb. Péssimas condições, encarceramento de mulheres e crianças. O fato é que a escravidão nunca acabou. E a gente acha até natural. Mas não devemos achar natural o nosso semelhante ser tratado pior do que um animal. Deixo registrado aqui que sou CONTRA OS MAUS TRATOS A ANIMAIS TB.
O fato é que não sei se vc pensa nisso. Talvez seja uma questão minha, mas penso que posso dividi-la no sentido de lançar um farol no assunto. E também não sei se todas as confecções da rua Teresa estão longe do trabalho escravo ou análogo a ele. Ser consciente da um trabalho, mas acho que continua ia valendo a pena.
Tenho andado com vontade de voltar à velha e boa costureira. O que se tornou um serviço de luxo, pois teve que se adaptar à grande indústria, e pra ganhar algo que valha não pode cobrar baratinho. Baratinho tem na C&A, na Leader, na Renner. Aliás, nem baratinho é. Mas pra quem tá na linha de produção não tem como concorrer com uma camiseta que custa 1 real e é vendida a 20, por exemplo. A situação fica difícil.
Bom, tenho me preocupado com isso. Com esse mundo que anda cada vez mais louco. Com a naturalização da violência e a banalização da exploração e do ódio. Tentando fazer a minha parte.

sexta-feira, 24 de outubro de 2014

Saí ilesa da baixaria do processo eleitoral

Oi gente.
Sexta feira mais que esperada. Ou não. Porque esse é o fim de semana da elei-cão. Dei esse nome (tadinhos dos cachorrinhos que eu amo por sinal) porque o debate virou coisa do capeta ou algo semelhante. Aliás, deixa eu consertar: não houve debate, houve achaque, barraco, falta de respeito, fim de amizade (não consigo ainda acreditar nisso...).
Desde que tal clima começou logo depois da Copa do Fundo do Poço, eu tomei uma decisão: a de que não ia JAMAIS, EM TEMPO ALGUM, me aborrecer com esse assunto.
Tenho formação política de esquerda. Uma faculdade pública de serviço social jamais seria diferente né. Mas não foi ela que me fez ser. Através dela só instrumentalizei o pensamento. Ela me deu ferramentas teóricas para a prática que já existia na minha trajetória. Aprendi que eu tinha uma práxis de vida, que é a atividade humana que dialoga e interpenetra a teoria e vice-versa. Mas deixemos de academicismos.
O fato é que minha decisão me fez muito bem. Apesar de que me senti atacada e ofendida MUITAS vezes no facebook, rede social que eu mais estou presente. Mas decidi não retribuir porque como eu disse, não seria debate, seria porradaria.
Não porque sou superior a ninguém, mas simplesmente porque já fui uma pessoa que senti muito ódio nessa vida e decidi que nenhuma discussão política rasa e de péssima qualidade me faria ter esse veneno dentro de mim. Porque a gente se irrita. E muito. Tem vontade de matar. De bloquear. De excluir. De mandar pra Ohio (que o parta).
Estamos no ponto ridículo do discurso maniqueísta, e não se faz um país assim. Nenhum político que tenha poder consegue não ser corrupto, infelizmente. Rarésimas exceções. E não to aqui fazendo discurso de "rouba, mas faz".  De jeito nenhum. O ideal da vida seria ninguém roubar, ninguém, matar, ninguém maldizer ou lançar falso testemunho contra outrem. O ideal seria ninguém votar, porque é melhor do que votar com todo esse ódio.
Ou seja: há mais coisas do que pensa a nossa vã filosofia política de botequim.
Segundo turno: coisa difícil. Ódios acirrados. Dedos em riste e acusações de todos os lados.
Mas eu tenho a consciência de que não contribuí pro debate rasteiro e muitas vezes mentiroso de todos os lados. Pode parecer para alguns que me omiti. Mas não. Coloquei matérias e pesquisas em meu perfil apenas as que achei que valeriam de um esclarecimento, como o Bolsa Família, tão atacado mas que agora vai ser mantido pelo PSDB se for eleito. Nego não é bobo. Nego quer voto. E só. Dane-se o resto. E que tem sido usado de forma eleitoreira pelo PT sim. Mas o que na minha parca opinião ninguém pode desdizer é que hoje se tem pobres e muitos ainda, mas com mais esperança e perspectivas. Com mais emprego. Saúde precária. Educação idem. Mas avanços levam tempo. Mais de uma geração até. E lutemos para que eles cheguem.
Tenho MUITAS críticas. Muitas. Minha dissertação de mestrado deu 140 páginas delas só no setor da Pós-Graduação no país. Imagina em relação a tantos outros temas de extrema importância.
O fato é que precisamos estar dispostos a discutir. O que quer dizer argumentar, e não atacar e ofender. Isso todos os lados fizeram e tem sido vergonhoso. Mostra como precisamos aprender a discutir o que quer que seja de que discordemos, porque o sangue sobe e toda a lógica se esvai ralo abaixo.
Não tem sido fácil ficar calada. Não tem sido fácil falar. E tem sido ridículo ter medo de ficar calada ou de falar porque a gente sabe que vai receber o discurso violento do ódio, dizendo ou que a gente é omisso ou burro por pensar o que pensa.
Deixemos de coisa, cuidemos da vida.
Boa eleição pra todos, se é que será possível.
Fui!


domingo, 5 de outubro de 2014

Não votei em Dilma

Já fui petista roxa. Vermelha. Laranja. Hoje não mais.

E não é por decepção, porque não coloco a minha fé na humanidade neste nível. Não mais.

Já fiz campanha de rua, já coloquei placa em casa. Votei em Lula duas vezes.

Não me arrependo. Isso mesmo. Not at all.

Mas simplesmente hoje enxergo alguns horizontes diferentes do que antes. Acho saudável o poder mudar de mãos. Uma democracia só tem sentido se tiver o sopro das mudanças.

Não votei em Dilma. Aliás, nunca votei nela.

Mas continuo partidária de iniciativas como os programas de transferência de renda que, aliás, quem foi arauto por essas bandas foi o Eduardo Suplicy, um dos políticos que admiro. Os programas que de alguma maneira defendem os trabalhadores da terra também me fazem acreditar que o país olha pros mais pobres e trabalhadores.

O fato de pessoas de origem mais humilde terem incentivos pra mudar de vida me deixa mais feliz como cidadã. Acompanho o Bolsa Família desde sua estréia e sei dos inúmeros benefícios que ele trouxe. E concordo que o maior malefício seja ele ser usado como moeda eleitoreira. E que tem os malandros e as mulheres que querem reproduzir pra viver de renda. Mas isso não acontece apenas no Brasil. Nos EUA já vai pra quinta geração que vive na vagabundagem com auxílio do governo, por exemplo. Não sou ingênua nem vivo no país das maravilhas. Mas sou assistente social e sei do que estou falando. Minha própria família teve a conquista da casa própria no governo lulista. Por isso sou grata. Poderia ser outro? Claro que poderia. Não sou lulete. Mas foi no governo de Lula,  principalmente no primeiro governo, que os ideais republicanos vigoraram a todo vapor. Sou feliz por ter feito parte dessa história.

Mas sei que o poder e o capital, o dinheiro mesmo, são capazes de nos embaçar o juízo e nos apodrecer. Foi assim com o PSDB, foi assim com o PT. O PMBD, então, ajudou a sedimentar a corrupção por essas bandas brasilis. Quem ganhar, sempre tem o apoio do PMDB, um partido que não tem vergonhá na cara. Mas não estou aqui pra falar de partido.

A internet nos deu a visibilidade em tempo real que é boa, mas é a maior fábrica de mentira e mesquinharia tb. Procuro ficar atenta, filtrar, acompanhar, ver a fonte. Claro que nem sempre isso é possível. Mas não fico medindo nada pela mídia veja-globo-folha-estadão. Vou procurar outras fontes também.

O Brasil clama por mudanças. Que elas venham. Mas que não atropelem os mais necessitados. Esses precisam de assistência sim, e incentivo.

Eu espero que  meu voto tenham servido pra algo. Serviu sim. Pra movimentar a democracia. Essa sim, precisa sempre de uma sacudida. E acho que independente do resultado, a luta tá sendo boa pro Brasil.

E vambora que a vida não espera.

Quem sabe faz a hora. Faça os acontecer.

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

Noticias do Climastérico
















Quem embarcou, embarcou. Quem não, ficaí e vai perder a viági.

Hoje é segunda, não sou Moisés, mas estou em pleno mar vermelho. Pela segunda vez em 25 dias. Haja humor e absorvente noturno.
Minha secretária fashion Sueli, que ainda vou roubar uma foto e postar aqui (cheia de poema), me apresentou o tapete power super para pipi do meu dog. Vou me apropriar porque não tá fácil. Aquele quadrado 1x1 me serve perfeitamente. Emendo quatro num patchwork e forro a cama. Aí de repente paro de amanhecer me sentindo a morta da série C.S.I. Icaraí, com sangue por todozoslado. Cruz credo.
Além do cenário de filme tem o enjôo. A dor de cabeça. A fraqueza. A vontade de matar. Bom, essa é de nascença. Porque vamo combinar, gente. A vontade de matar nasce junto com a mulher. E a gente vai aprimorando o sentimento quando casa e tem filho. No meu caso, tem filho e casa. Mas isso é outra história.
Esse climatério que resolveu chegar sem ser convidado tá me dando nos nervos. Saco. Logo eu, tão meiga e singela, uma pessoa calma, que sempre fez o dever de casa e decorou a tabuada, por quê???? Tenho uma lista mental dazinimigas que poderiam ter tido isso antes de mim. Mas se Deus quiser, na vez delas será pior. Vão encontrar com Faraó e sua trupe no mar vermelho.
Semana começando. Pelo menos estou sozinha em casa. Eu e Kassel, que cismou que é uma pessoa e agora só quer dormir com a cabeça na almofada fazendo de travesseiro. Loucuras do hospício Viegas.
O que me resta hoje? Nem na análise pude ir, tive que remarcar, então vi. Aqui encher o saco de vcs. Não ficarei entediada sozinha, quero companhia.
Bom, como se eu não tivesse todos os semi raios (semináriossss, corretor maldito) de Lacan e a coleção completa de Freud pra ler. Mas ler assim não vai ser fácil. Acho que vou ficar aqui, exatamente no sofá que dá pras varandas vizinhas, vou vigiar a vida alheia hj. Pelo menos vai render uns posts.
É isso.
Tempo no climastérico: parcialmente nublado, sujeito a pancadas em quem se meter a besta.
Fui!

domingo, 28 de setembro de 2014

Aqui de novo.

Azamigas tão me pedindo há algum tempo pra fazer um blog. Na verdade eu já tenho um que abandonei em 2012. Este aqui. Um pouco de tudo. Um pouco da minha sanidade, da minha loucura, espiritualidade, da minha vontade de viver, da minha vó tarde de sair correndo. Um pouco das várias Cricas que existem em mim. A diva, a louca, a mãe Jocasta, a mulher de Cazalberto. Enfim. Isso tudo em mim. Tão vendo que faço poema como lavo louça, ou seja: no máximo 3 vezes ao ano.
Mentira. Tenho zilhòes de coisas loucas e insanas escritas em cadernos e pretendo colocar algumas gotas da minha porção escritora aqui tb. Já tive filho e plantei mil árvores, só falta completar o livro. Que já está iniciado há uns dez anos.
É isso, gentem. Meu espaço no face ficará pra postagens curtas, vou migrar as insanidade maiores pra cá. Espero que vcs venham comigo. Se não vierem, problema de vcs. Perderão as pérolas da diva mor. Rs. Bora embarcar?