sexta-feira, 20 de outubro de 2017

RELACIONAMENTO NOS TEMPOS ATUAIS: AINDA É POSSÍVEL?

Receber amor é a coisa mais desejada pelo ser humano. Desde muito pequenos nos identificamos às figuras de pai e mãe ou quem quer que faça essa função pelo amor que recebemos, ou mesmo pelo amor negado. Se recebemos, nos sentimos plenos e felizes; se nos é negado, podemos passar uma vida esperando alguma migalha de amor e fazemos jogo com isso ou mesmo podemos repetir o papel daquele que nega amor.

De toda forma, o modelo familiar tem coordenadas culturais que dão muito do tom do que se chama de amor. O amor romântico não existiu até o século XVII, por exemplo. Casamento era negócio entre famílias.

Hoje estamos passando por profundas transformações na configuração cultural dos relacionamentos amorosos. Nas gerações de nossos avós e pais, as mulheres eram submetidas a casamentos infelizes sem poder se separar porque a sociedade as consideraria meretrizes. Poucas furaram esse bloqueio e pagaram o preço por isso.

As meninas eram ensinadas desde a tenra infância (arrisco dizer que em muitas famílias ainda são) a cuidar de uma família a qualquer custo. Os meninos já aprendiam que seriam chefes da casa e que chorar era sinal de fraqueza, acumulando emoções dentro de si e não dividindo suas dores. Claro que isso não podia funcionar ad eternum, pois esse modelo engessa subjetividades e desejos, torna todos prisioneiros de alguma forma.

Veja, cuidar da família é algo que pode ser prazeroso de verdade. Mas cuidar e ser cuidado é melhor ainda.

Mas, vivemos ainda numa sociedade onde o peso das tarefas domésticas e emocionais recai muito mais sobre as meninas e mulheres. As próprias mães reproduzem isso quando mandam suas filhas arrumarem a casa enquanto seus filhos estão na sala ou no quarto jogando videogame ou vão sair com os amigos, ou mesmo quando a filha escuta "seu irmão pode, porque ele é homem". Com certeza, o resultado disso será mulheres ressentidas e homens sem espírito colaborativo, o que estraga a possibilidade de empatia dos dois lados.

Há uma ou duas gerações atrás os homens eram provedores, e parece que só cumpriam essa função. Todo o trabalho da criação de filhos e manutenção da casa cabia às mulheres. Caminhamos um bocado desde lá, mas ainda não atingimos o ideal, que é a divisão igualitária de atribuições dentro de uma família. Mulheres não se sentiam amadas e homens se sentiam indiferentes. Claro que existiam e existem exceções, mas é só para demonstrar como somos levados pela cultura muitas vezes sem perceber.

Com a liberação feminina, a entrada massiva no mercado de trabalho e o desejo da mulher posto na mesa, as coisas se modificaram. Mulheres passaram a ter opinião, pagar as contas, o que causou um alvoroço no modelo "caso contigo e você vai criar nossos filhos". Não mais. Hoje há uma urgência de se levar em conta a posição de cada um no casal, e já este e nem mesmo as famílias possuem mais um modelo tradicional, mas têm inúmeras configurações: há mães solo, duas mães, dois pais, pais solo, avós e tios, madrinhas e padrinhos que assumem funções parentais. Isso com certeza muda todo o cenário.

Mas isso tudo pra dizer o quê? Que no intuito de nos libertarmos das amarras dos séculos passados, podemos estar dando pouco valor às relações amorosas. Antigamente se aturava tudo em nome da moral e dos bons costumes. Hoje, em nome da liberdade parece que não estamos aturando nada: uma toalha molhada em cima da cama é motivo de sair da relação. "Me chamou de chata e não te quero mais". "Sua mãe não gosta de mim então a gente não pode ficar junto". "Se seu ex marido for na sua casa buscar as crianças eu saio". E por aí vai.

Há que se ter cuidado para não se perder um grande amor por motivos pífios. Claro que problema recorrente de caráter pode ser um sinal de que o relacionamento não vai dar certo. Estamos aqui falando das picuinhas do dia a dia que podem ser resolvidas, mas que muita gente supervaloriza e por qualquer louça  sem lavar na pia quer se separar porque também acha que só tem direitos.

Direitos e deveres fazem parte dos relacionamentos amorosos. É preciso que haja acordo, conversa, a famosa DR para que coisas bobas não virem motivo de estresse que leve a um rompimento desnecessário. Então, qual a medida? Creio que é um não se sentir sobrecarregado pelo outro ao ponto de ir ficando infeliz perto da hora de estarem juntos em casa. Amor é difícil? É. Mas é pra trazer paz mesmo se passar por turbulências, não pra instalar um clima de guerra.

Psicanálise pura e simples assim.
Crica Viegas

sábado, 7 de outubro de 2017

VERDADES E MENTIRAS

Nascemos e somos criados ouvindo e vivendo uma história familiar particular. A partir dela, construímos muito do que somos e da nossa visão de mundo, seja pra reafirmar ou pra negar o que vivemos e os exemplos familiares que tivemos.

A gente muitas vezes não se dá conta das mentiras que estruturam nosso "romance familiar", eufemismos e panos quentes colocados sobre palavras e feridas e passamos a agir como se nunca tivessem existido ou sido ditas.

Temos o nosso próprio cemitério emocional, onde jazem restos mortos de nós mesmos, mas com um único inconveniente: esses restos mortos falam. Falam do que não queremos saber mas já sabemos de cor, gritam o que queremos silenciar e movimentam o que queremos anestesiar. Às vezes funciona e nosso cemitério mentiroso e silencioso está lá com a grama verde e lápides limpinhas sob um lindo sol. Mas tem hora que  vem a tempestade,  os túmulos internos se revolvem e somos tomados pela angústia e medo da escuridão.

A questão é: o que não queremos ver? Quais as mentiras que passamos a vida contando a nós mesmos, mas que no fundo sabemos que estão ficando insustentáveis? Por que tivemos a necessidade de mentir por tanto tempo? O que nos causa tanto horror que precisamos colocar um pano grosso no espelho pra não ver toda vez que passamos no nosso corredor interior? Que mentira é essa que está sustentando nossa estrutura?

Encarar as próprias verdades é realmente da ordem de um horror pra cada um de nós. Todos temos verdades das quais fugimos, desejos inconfessáveis e mentiras muito bem elaboradas, isso faz parte da nossa humanidade e, muitas vezes, até pra desmontar nossa própria ficção há que se ter cuidado com a maneira como fazemos, sob o perigo do edifício não suportar.

Ou não. Talvez precisemos de uma pancada forte no muro pra que tomemos coragem de nos ver a olho nu. Isso vai depender da estrutura de cada um.

Verdade e mentira transitam dentro de nós como parte do que somos e construímos. Mas tem horas em que precisamos tomar partido:  ou vivemos a nossa verdade ou a nossa mentira. Ou nos revelamos na verdade do nosso discurso, ou velamos nossa mentira com lindas flores e velas. Mas continuaremos mortos.

Psicanálise pura e simples assim.
Crica Viegas

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Desistir?

A gente tem vergonha de desistir. Essa "palavra" (lá vem o significante de novo rs) denota covardia. Fraqueza. Cagaço.
Mas por que diabos não podemos ser fracos ou covardes?
Ou talvez tem horas que não se trate disso, mas de um extremo cansaço de levar o que não estamos mais conseguindo carregar.
E aí a gente fica com bola de ferro acorrentada nos pés chamada  "opinião formada sobre tudo" ou "nasci assim não vou mudar". Por que não?

Desistir não torna a gente um fiasco. Fiasco é fingir que se está no jogo violentando e sendo violentado pelo outro. Violentado na dignidade da alma.Eu não quero violar minha própria alma...você quer?
Desistir não torna a gente incapaz. Fingir tanto tempo é que nos torna incapazes. De amar e se deixar ser amado. Fingir o que não se é, essa sim, é a maior das violências a que nos submetemos. ela se torna um auto flagelo, e o bater da corda nas nossas costas vai deixando rastro de pele e sangue.

Desistir não nos faz piores, mas muitas vezes pode nos fazer mais fortes. Quando a gente desiste, a gente de-existe daquela situação, daquele relacionamento. A gente sai de cena, e talvez isso nos traga a maior leveza da nossa vida.

Porque quando a gente teima em carregar títulos, diplomas, relacionamentos, honrarias, carreiras, parentes, mas não consegue mais ser feliz, tem alguma coisa muito errada conosco. Teimar em carregar é diferente de se importar. Teimar em carregar não nos deixa mudar de ares, de emprego. Teimar em carregar nos  deixa mais pesados, densos, ou mesmo infelizes.

Às vezes uma carreira bem construída só faz sentido pra sua mãe, não pra você. Um  relacionamento longo só faz sentido pro outro, porque você já se perdeu e nem sabe mais quem é ali. Talvez o contrário: pagar de desconstruído e viver só relações efêmeras esteja te violentando em ultimo grau, mas você não pode dizer pros amigues que está sofrendo.

Temos vergonha se não estamos conseguindo seguir o baile. Só que nessa grande roda de dança que é a vida, cada um tem seu tempo e sua música, mas a gente se desrespeita o tempo todo pra permanecer na música do outro.

Às vezes desistir de se ter filhos pode ser a coisa mais valiosa que se vai fazer por uma criança, que se tivesse nascido seria infeliz ao perceber que só foi gerada pra seguir um protocolo familiar, por exemplo.

Desistir de ganhar mais pra ter mais tempo pra si pode parecer loucura pros colegas de trabalho, que não entendem que você desistiu daquela gerência pra não ir se matando aos poucos.

Desistir de ser ou ter algo que só mantém a opinião dos outros pode o que de mais honesto a gente faça na vida.

Desistir não é romântico. Mas pode ser de uma beleza absurda.

Desistir machuca? Sim. Não. Um pouco. Muito. Vai depender do amor que se tem a si mesmo, porque não dá pra amar genuinamente o próximo quando se odeia quem se é ou onde se está.

Por isso, talvez devamos mudar a pergunta:
Desistir? Sim. Sempre que for para salvar a minha própria vida.

Crica Viegas

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Ideal do Eu e Eu Ideal...o que é isso?


Aquela frase "nenhum homem é uma ilha" bem que poderia ter sido dita por Freud. Não foi. Foi o poeta inglês John Donne no século XVII. Mas nem por isso ela não deixa de ser uma verdade psicanalítica.

Nascemos em sociedade. Vivemos em grupos. Construímos nossa identidade, portanto, a partir do outro. Já de saída lidamos com expectativas das pessoas mais próximas que nos fazem as funções parentais, esse conjunto de projetos e esperancas em nós que chamamos em psicanálise de Ideal do Eu. Esse nosso Eu se vê desde a tenra idade pressionado a dar conta do desejo de outros. Já nascemos com nome, carreira idealizada, vida projetada. E não é fácil, porque não há um ser no mundo que consiga alcançar esse Ideal plenamente.

Crescemos e vamos saindo do primeiro grupo a que pertencemos para formar outros grupos, laços e ter outros projetos. A educação da família, a escola, as convenções sociais, tudo isso se junta a aspirações e visão de nós mesmos que vamos formando, aquilo que queremos ser por nós mesmos, o que não desejamos: esse é o nosso próprio Eu Ideal.

Nossa formação como sujeitos da vida passa desde muito cedo pela constituição do nosso narcisismo, aquele amor próprio que, se for de menos ou demais, tende a nos meter em enrascadas. No Ideal do Eu dos primeiros anos de vida formamos nosso narcisismo primário, aquele que vem diretamente das expectativas do outro pra nós; passamos o tempo fazendo gracinhas para alimentar o desejo do outro, e também o nosso: fazemos tudo para voltar a sentir o calor do corpo, ouvir a voz amorosa. A gente deseja, portanto, é o desejo do outro, que nos deseja como centro do universo, sua majestade, nós, o bebê.

Mas a vida não é fácil. Temos que imergir no mundo para criar nossa própria escrita de vida, e ver se o que escreveram pela gente ainda no útero é o que realmente irá nos guiar pela vida.

Sim e não.
Sim porque precisamos de referências para termos nosso próprio horizonte. Não porque faremos muitas coisas diferentes do que planejaram pra nós.

Vivemos, então, numa luta entre nosso Ideal do Eu forjado pelo outro, a familia, e o Eu Ideal, esse que a gente constrói com as próprias mãos, nosso narcisismo secundário.

Esses conceitos complexos da psicanálise são, na verdade, o que vivemos na vida. O nosso questionamento principal: viver ou agradar o outro? Ser sujeito da existência ou objeto apenas. Somos as duas coisas. Vamos alternando entre Ideal do Eu e Eu Ideal. A alternância pode ser uma coisa proveitosa, porque nos movemos. Estagnar numa única posição com certeza pode ser o que adoece. Ser eternamente o bebê da família nos deixará mimados e isso não nos trará crescimento; mas recusar totalmente essa herança pode nos deixar num imenso vazio. A escolha é nossa.
Psicanálise pura e simples assim.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Tombo Emocional

Tombo emocional

Por que a palavra tombo? (no vocabulário psicanalítico chama-se significante). Talvez porque haja aí uma verdadeira queda das nossas certezas, crenças e daquilo que pensávamos até o momento desse evento, que pode ser um fim, um recomeço, morte de alguém querido, ser traído na confiança em alguém. Uma porta fechada quando já estávamos com a mão na maçaneta. Um corte repentino.

O fato é que a gente leva muitos tombos em nossas certezas, amores, em situações nossas como pessoas. Provavelme esse tombo emocional que você acabou de tomar não foi o primeiro nem será o último. Bem vindo ao mundo!

Tombo machuca. Rala. Traz escoriações. Deixa por uns instantes sem saber o que aconteceu. Uma pancada nos nossos sentidos que os confundem todos. É preciso esperar para que a gente perceba o que cada um nos diz naquele momento.

O nosso tombo é algo do qual a sociedade ri e a gente se envergonha. E a gente ri do tombo do outro que se envergonha. Porque só sabe da dor do tombo quem cai.

Tombo é um instante. É rápido. A gente não sabe como resvalou e foi ao chão tão prontamente, não deu tempo de segurar naquele corrimão que parecia tão perto...
Não há mais nada a fazer nos primeiros minutos. Apenas sentir a dor e a vergonha. Verificar se algo na alma se quebrou, luxou ou apenas ralou. Que de apenas não tem nada porque ralado na pele da alma dói que nem uma condenação.

Mas...depois do tombo, o levante. A gente ainda ta atordoado, meio capenga, quer maldizer alguém porque acha que foi culpa do outro que não viu (ou viu?) aquela pedra na qual a gente pisou e escorregou. A primeira tentativa de defesa: culpar o outro.

A gente levanta meio torto. Mas precisa seguir. Não há outra opção. Até há: ficar estatelado no chão enquanto a vida não espera.
Os primeiros passos serão muito doloridos. Parece que a alma travou. Aquela fechada de porta, aquele não, aquela traição, aquela decepção, tudo ressoa na nossa cabeça. O que fazer com isso? Com essa sensação de ter sido deixado pelo caminho? Parece que a mais difícil e mais libertadora: levantar, escorar-se em si ou até algum transeunte que se oferece a nos ajudar nos primeiros passos, e seguir.

Não foi o primeiro. Não será o último.
Nessa horas vem a lembrança da canção: "Deixemos de coisa e cuidemos da vida
Pois, e se nos chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida?"

Crica Viegas


terça-feira, 6 de junho de 2017

O tempo no processo depressivo

Estamos vivendo em tempos estranhos. Estamos imersos num sistema de aceleração de todas as coisas e processos que nos tem levado a todos a um estado de exaustão que não nos deixa.
Vivemos uma esquizofrenia psíquica porque, além de acelerados e ansiosos, estamos também deprimidos.
E é interessante como essa coisa chamada tempo se processa numa pessoa que está num estado onde a libido (energia de vida) parece abandonar o sujeito à própria sorte.

O descompasso se inicia ao primeiro abrir dos olhos pela manhã. Na verdade, esse já está instalado porque a noite anterior não foi de descanso e o estado ansioso atrapalhou por demais o sono, durante o qual não se teve a experiência da profundidade. O tempo parece um grande navio embora a gente quisesse que ele fosse um jato. E aí o nossa mente e espírito começam a batalha de acelerar o impossível. Pelo menos para quem está de fora.

Levantar da cama para ir ao banheiro já é uma tarefa olímpica. Engraçado que os minutos andam da mesma maneira, mas o corpo, refém da mente rebelde, se agarra nos ponteiros do relógio para atrapalhar o percurso linear das horas.
Aqueles 15 minutos até poder sair do quarto e ir preparar um gole de café na cozinha estão já multiplicados por quatro no corpo, porque foi essa a proporção de energia gasta para fazer essa tarefa.

No caminho para o trabalho, as coisas parecem não fazer muito sentido porque não se consegue compreender como as pessoas estão num estágio de energia vital que o sujeito nem consegue vislumbrar. E assim passa a primeira metade do dia. Quando chega a hora do almoço parece que já se viveu uma vida. O dia continua e assim ele termina.

A dimensão do tempo é algo que muda radicalmente num processo depressivo. Parece que a baixíssima libido transforma o deprimido num ser fora do tempo. Aquém dele. Pois simplesmente tudo parece que leva pelo menos o dobro para se realizar, mesmo que seja um pensamento. Quando se tem que ir do nível da ideia para a esfera da ação, aí a energia gasta parece quadruplicar, e o fim do dia parece o fim de uma guerra.
Um cansaço sem fim de ter que carregar nas costas o peso das horas que correm e se arrastam ao mesmo tempo, onde o que se produziu foi pensamento demais e ação de menos.

É preciso levar em consideração essa diferente dimensão do tempo para uma pessoa deprimida. Não é preguiça. Não é má vontade. É o ser abandonado pela própria energia de viver. É o se trancafiar no eu sem medir as consequências porque não se consegue sequer vê-las.

Levar em conta esse tempo não é ajudar a pessoa deprimida com quem se convive a se afundar. É apenas compreendê-la. Pode-se querer ajudá-la a acelerar uma rpm que seja, mas não será produtivo emocionalmente inseri-la numa corrida na qual ela não está em condições de estar presente naquele momento.

O tempo, em nossa sociedade, foi mercantilizado. Minutos viraram dinheiro. Mas os processos emocionais não obedecem a essa lógica, por isso a importância de dar tempo para quem não consegue viver o tempo de caça-níqueis que nos empurra dia a dia.

Mais mão estendida e menos julgamento pode ser muito mais proveitoso para quem está passando por esse processo sombrio da alma e para quem está ao lado.

Crica Viegas
Junho de 2016

sábado, 25 de março de 2017

Do amor e da vida

Nossas bodas de um porvir não mais tão distante marcarão uma virada em nossas vidas
Embora ainda cinco, nos tornaremos três. E sem deixar de amar três, teremos ainda por um tempo somente um. Choraremos. Semearemos.

Um virará dois, e estes serão um. E nos alegraremos. Colheremos frutos do amor.
Bodas de uma vida. Atribulada e imensamente feliz. Muitas lágrimas adubaram o solo do nosso percurso, mas não nos impediram de prosseguir. E nos fizeram florescer.

Nossa árvore tem três frutos diversos entre si, igualmente carregados de amor e medo por não estar fazendo o que deve ser feito para que sejam livres.

A separação desses frutos do nosso tronco será feita com dor e amor. Cada um seguirá seu destino. Os três. Mas a despedida de dois mais maduros já tem tempo marcado, ainda sem dia e hora para que suportemos. Talvez por isso o Eterno nos tenha dado o fruto ainda pequenino.

Serão tempos maravilhosos também. Haverá amor. A paz, tenho certeza de que virá do Alto, pois serão tempos igualmente difíceis e continuaremos todos peregrinos.

E assim seguiremos. Até branquear de vez nossas cabeças e estivermos no quintal de casa felizes, abraçando os lindos frutos dos nossos frutos. E nossa árvore da vida estará completa.

Crica Viegas