quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Desistir?

A gente tem vergonha de desistir. Essa "palavra" (lá vem o significante de novo rs) denota covardia. Fraqueza. Cagaço.
Mas por que diabos não podemos ser fracos ou covardes?
Ou talvez tem horas que não se trate disso, mas de um extremo cansaço de levar o que não estamos mais conseguindo carregar.
E aí a gente fica com bola de ferro acorrentada nos pés chamada  "opinião formada sobre tudo" ou "nasci assim não vou mudar". Por que não?

Desistir não torna a gente um fiasco. Fiasco é fingir que se está no jogo violentando e sendo violentado pelo outro. Violentado na dignidade da alma.Eu não quero violar minha própria alma...você quer?
Desistir não torna a gente incapaz. Fingir tanto tempo é que nos torna incapazes. De amar e se deixar ser amado. Fingir o que não se é, essa sim, é a maior das violências a que nos submetemos. ela se torna um auto flagelo, e o bater da corda nas nossas costas vai deixando rastro de pele e sangue.

Desistir não nos faz piores, mas muitas vezes pode nos fazer mais fortes. Quando a gente desiste, a gente de-existe daquela situação, daquele relacionamento. A gente sai de cena, e talvez isso nos traga a maior leveza da nossa vida.

Porque quando a gente teima em carregar títulos, diplomas, relacionamentos, honrarias, carreiras, parentes, mas não consegue mais ser feliz, tem alguma coisa muito errada conosco. Teimar em carregar é diferente de se importar. Teimar em carregar não nos deixa mudar de ares, de emprego. Teimar em carregar nos  deixa mais pesados, densos, ou mesmo infelizes.

Às vezes uma carreira bem construída só faz sentido pra sua mãe, não pra você. Um  relacionamento longo só faz sentido pro outro, porque você já se perdeu e nem sabe mais quem é ali. Talvez o contrário: pagar de desconstruído e viver só relações efêmeras esteja te violentando em ultimo grau, mas você não pode dizer pros amigues que está sofrendo.

Temos vergonha se não estamos conseguindo seguir o baile. Só que nessa grande roda de dança que é a vida, cada um tem seu tempo e sua música, mas a gente se desrespeita o tempo todo pra permanecer na música do outro.

Às vezes desistir de se ter filhos pode ser a coisa mais valiosa que se vai fazer por uma criança, que se tivesse nascido seria infeliz ao perceber que só foi gerada pra seguir um protocolo familiar, por exemplo.

Desistir de ganhar mais pra ter mais tempo pra si pode parecer loucura pros colegas de trabalho, que não entendem que você desistiu daquela gerência pra não ir se matando aos poucos.

Desistir de ser ou ter algo que só mantém a opinião dos outros pode o que de mais honesto a gente faça na vida.

Desistir não é romântico. Mas pode ser de uma beleza absurda.

Desistir machuca? Sim. Não. Um pouco. Muito. Vai depender do amor que se tem a si mesmo, porque não dá pra amar genuinamente o próximo quando se odeia quem se é ou onde se está.

Por isso, talvez devamos mudar a pergunta:
Desistir? Sim. Sempre que for para salvar a minha própria vida.

Crica Viegas

quinta-feira, 31 de agosto de 2017

Ideal do Eu e Eu Ideal...o que é isso?


Aquela frase "nenhum homem é uma ilha" bem que poderia ter sido dita por Freud. Não foi. Foi o poeta inglês John Donne no século XVII. Mas nem por isso ela não deixa de ser uma verdade psicanalítica.

Nascemos em sociedade. Vivemos em grupos. Construímos nossa identidade, portanto, a partir do outro. Já de saída lidamos com expectativas das pessoas mais próximas que nos fazem as funções parentais, esse conjunto de projetos e esperancas em nós que chamamos em psicanálise de Ideal do Eu. Esse nosso Eu se vê desde a tenra idade pressionado a dar conta do desejo de outros. Já nascemos com nome, carreira idealizada, vida projetada. E não é fácil, porque não há um ser no mundo que consiga alcançar esse Ideal plenamente.

Crescemos e vamos saindo do primeiro grupo a que pertencemos para formar outros grupos, laços e ter outros projetos. A educação da família, a escola, as convenções sociais, tudo isso se junta a aspirações e visão de nós mesmos que vamos formando, aquilo que queremos ser por nós mesmos, o que não desejamos: esse é o nosso próprio Eu Ideal.

Nossa formação como sujeitos da vida passa desde muito cedo pela constituição do nosso narcisismo, aquele amor próprio que, se for de menos ou demais, tende a nos meter em enrascadas. No Ideal do Eu dos primeiros anos de vida formamos nosso narcisismo primário, aquele que vem diretamente das expectativas do outro pra nós; passamos o tempo fazendo gracinhas para alimentar o desejo do outro, e também o nosso: fazemos tudo para voltar a sentir o calor do corpo, ouvir a voz amorosa. A gente deseja, portanto, é o desejo do outro, que nos deseja como centro do universo, sua majestade, nós, o bebê.

Mas a vida não é fácil. Temos que imergir no mundo para criar nossa própria escrita de vida, e ver se o que escreveram pela gente ainda no útero é o que realmente irá nos guiar pela vida.

Sim e não.
Sim porque precisamos de referências para termos nosso próprio horizonte. Não porque faremos muitas coisas diferentes do que planejaram pra nós.

Vivemos, então, numa luta entre nosso Ideal do Eu forjado pelo outro, a familia, e o Eu Ideal, esse que a gente constrói com as próprias mãos, nosso narcisismo secundário.

Esses conceitos complexos da psicanálise são, na verdade, o que vivemos na vida. O nosso questionamento principal: viver ou agradar o outro? Ser sujeito da existência ou objeto apenas. Somos as duas coisas. Vamos alternando entre Ideal do Eu e Eu Ideal. A alternância pode ser uma coisa proveitosa, porque nos movemos. Estagnar numa única posição com certeza pode ser o que adoece. Ser eternamente o bebê da família nos deixará mimados e isso não nos trará crescimento; mas recusar totalmente essa herança pode nos deixar num imenso vazio. A escolha é nossa.
Psicanálise pura e simples assim.

segunda-feira, 28 de agosto de 2017

Tombo Emocional

Tombo emocional

Por que a palavra tombo? (no vocabulário psicanalítico chama-se significante). Talvez porque haja aí uma verdadeira queda das nossas certezas, crenças e daquilo que pensávamos até o momento desse evento, que pode ser um fim, um recomeço, morte de alguém querido, ser traído na confiança em alguém. Uma porta fechada quando já estávamos com a mão na maçaneta. Um corte repentino.

O fato é que a gente leva muitos tombos em nossas certezas, amores, em situações nossas como pessoas. Provavelme esse tombo emocional que você acabou de tomar não foi o primeiro nem será o último. Bem vindo ao mundo!

Tombo machuca. Rala. Traz escoriações. Deixa por uns instantes sem saber o que aconteceu. Uma pancada nos nossos sentidos que os confundem todos. É preciso esperar para que a gente perceba o que cada um nos diz naquele momento.

O nosso tombo é algo do qual a sociedade ri e a gente se envergonha. E a gente ri do tombo do outro que se envergonha. Porque só sabe da dor do tombo quem cai.

Tombo é um instante. É rápido. A gente não sabe como resvalou e foi ao chão tão prontamente, não deu tempo de segurar naquele corrimão que parecia tão perto...
Não há mais nada a fazer nos primeiros minutos. Apenas sentir a dor e a vergonha. Verificar se algo na alma se quebrou, luxou ou apenas ralou. Que de apenas não tem nada porque ralado na pele da alma dói que nem uma condenação.

Mas...depois do tombo, o levante. A gente ainda ta atordoado, meio capenga, quer maldizer alguém porque acha que foi culpa do outro que não viu (ou viu?) aquela pedra na qual a gente pisou e escorregou. A primeira tentativa de defesa: culpar o outro.

A gente levanta meio torto. Mas precisa seguir. Não há outra opção. Até há: ficar estatelado no chão enquanto a vida não espera.
Os primeiros passos serão muito doloridos. Parece que a alma travou. Aquela fechada de porta, aquele não, aquela traição, aquela decepção, tudo ressoa na nossa cabeça. O que fazer com isso? Com essa sensação de ter sido deixado pelo caminho? Parece que a mais difícil e mais libertadora: levantar, escorar-se em si ou até algum transeunte que se oferece a nos ajudar nos primeiros passos, e seguir.

Não foi o primeiro. Não será o último.
Nessa horas vem a lembrança da canção: "Deixemos de coisa e cuidemos da vida
Pois, e se nos chega a morte
Ou coisa parecida
E nos arrasta moço
Sem ter visto a vida?"

Crica Viegas


terça-feira, 6 de junho de 2017

O tempo no processo depressivo

Estamos vivendo em tempos estranhos. Estamos imersos num sistema de aceleração de todas as coisas e processos que nos tem levado a todos a um estado de exaustão que não nos deixa.
Vivemos uma esquizofrenia psíquica porque, além de acelerados e ansiosos, estamos também deprimidos.
E é interessante como essa coisa chamada tempo se processa numa pessoa que está num estado onde a libido (energia de vida) parece abandonar o sujeito à própria sorte.

O descompasso se inicia ao primeiro abrir dos olhos pela manhã. Na verdade, esse já está instalado porque a noite anterior não foi de descanso e o estado ansioso atrapalhou por demais o sono, durante o qual não se teve a experiência da profundidade. O tempo parece um grande navio embora a gente quisesse que ele fosse um jato. E aí o nossa mente e espírito começam a batalha de acelerar o impossível. Pelo menos para quem está de fora.

Levantar da cama para ir ao banheiro já é uma tarefa olímpica. Engraçado que os minutos andam da mesma maneira, mas o corpo, refém da mente rebelde, se agarra nos ponteiros do relógio para atrapalhar o percurso linear das horas.
Aqueles 15 minutos até poder sair do quarto e ir preparar um gole de café na cozinha estão já multiplicados por quatro no corpo, porque foi essa a proporção de energia gasta para fazer essa tarefa.

No caminho para o trabalho, as coisas parecem não fazer muito sentido porque não se consegue compreender como as pessoas estão num estágio de energia vital que o sujeito nem consegue vislumbrar. E assim passa a primeira metade do dia. Quando chega a hora do almoço parece que já se viveu uma vida. O dia continua e assim ele termina.

A dimensão do tempo é algo que muda radicalmente num processo depressivo. Parece que a baixíssima libido transforma o deprimido num ser fora do tempo. Aquém dele. Pois simplesmente tudo parece que leva pelo menos o dobro para se realizar, mesmo que seja um pensamento. Quando se tem que ir do nível da ideia para a esfera da ação, aí a energia gasta parece quadruplicar, e o fim do dia parece o fim de uma guerra.
Um cansaço sem fim de ter que carregar nas costas o peso das horas que correm e se arrastam ao mesmo tempo, onde o que se produziu foi pensamento demais e ação de menos.

É preciso levar em consideração essa diferente dimensão do tempo para uma pessoa deprimida. Não é preguiça. Não é má vontade. É o ser abandonado pela própria energia de viver. É o se trancafiar no eu sem medir as consequências porque não se consegue sequer vê-las.

Levar em conta esse tempo não é ajudar a pessoa deprimida com quem se convive a se afundar. É apenas compreendê-la. Pode-se querer ajudá-la a acelerar uma rpm que seja, mas não será produtivo emocionalmente inseri-la numa corrida na qual ela não está em condições de estar presente naquele momento.

O tempo, em nossa sociedade, foi mercantilizado. Minutos viraram dinheiro. Mas os processos emocionais não obedecem a essa lógica, por isso a importância de dar tempo para quem não consegue viver o tempo de caça-níqueis que nos empurra dia a dia.

Mais mão estendida e menos julgamento pode ser muito mais proveitoso para quem está passando por esse processo sombrio da alma e para quem está ao lado.

Crica Viegas
Junho de 2016

sábado, 25 de março de 2017

Do amor e da vida

Nossas bodas de um porvir não mais tão distante marcarão uma virada em nossas vidas
Embora ainda cinco, nos tornaremos três. E sem deixar de amar três, teremos ainda por um tempo somente um. Choraremos. Semearemos.

Um virará dois, e estes serão um. E nos alegraremos. Colheremos frutos do amor.
Bodas de uma vida. Atribulada e imensamente feliz. Muitas lágrimas adubaram o solo do nosso percurso, mas não nos impediram de prosseguir. E nos fizeram florescer.

Nossa árvore tem três frutos diversos entre si, igualmente carregados de amor e medo por não estar fazendo o que deve ser feito para que sejam livres.

A separação desses frutos do nosso tronco será feita com dor e amor. Cada um seguirá seu destino. Os três. Mas a despedida de dois mais maduros já tem tempo marcado, ainda sem dia e hora para que suportemos. Talvez por isso o Eterno nos tenha dado o fruto ainda pequenino.

Serão tempos maravilhosos também. Haverá amor. A paz, tenho certeza de que virá do Alto, pois serão tempos igualmente difíceis e continuaremos todos peregrinos.

E assim seguiremos. Até branquear de vez nossas cabeças e estivermos no quintal de casa felizes, abraçando os lindos frutos dos nossos frutos. E nossa árvore da vida estará completa.

Crica Viegas

quinta-feira, 23 de março de 2017

FAROESTE CABOCLO 2017

Não tinha medo o tal Michel do anti esquerdismo
Era o que todos diziam quando ele se vendeu
Deixou pra trás todo o marasmo da decência
Só pra sentir no seu sangue o ódio que o PT lhe deu
Quando criança só pensava em ser bandido
Ainda mais quando com um tiro seu caráter faleceu
Virou o terror da cercania onde morava
E na escola até o colega com ele aprendeu
Ia pra igreja só pra roubar o dinheiro
Que as pessoas colocavam na caixinha do altar
Sentia mesmo que era mesmo diferente
Sentia que aquilo ali não era o seu lugar
Ele queria sair para defraudar pessoas que ele via na televisão
Roubou dinheiro para poder viajar
De escolha própria, escolheu o partidão

Dentre todas as menininhas da cidade
Foi Marcela a escolhida pelo cabra comedor
Ela teve banho de loja transformatório
Onde aumentou seu dote diante de tanto valor
Não entendia como a vida funcionava
Teve aulas de beleza pra ter classe e humor
Michel viu que Marcela era uma boa aposta
E comprou a mina com o discurso de "vou ser seu Salvador"

Voltando à vida foi tomar um cafezinho
E encontrou um doleiro com quem foi falar
E o doleiro tinha uma passagem Ia perder a viagem mas Michel foi lhe salvar
Dizia ele ''Estou indo pra Brasília
Nesse país lugar melhor não há
Tô precisando de político na quadrilha
Eu fico aqui e você vai no meu lugar''

E Michel aceitou sua proposta
E num vôo ele chegou no Planalto Central
Ele ficou bestificado com a cidade
Era tanta da propina que parecia até natal
Meu Deus, mas que cidade linda!
No Ano Novo eu começo a trabalhar
Desviar verbas com os parceiros dava mais de cem mil por mês em Planaltina

Na sexta feira fazia zona na cidade Gastar todo o dinheiro do povo trabalhador
E conhecia muita gente meliante
Até um neto retardado de Tancredo o tal senhor
O cara tinha cocaína da Bolívia
E muitas coisas trazia de lá
Seu nome era Aécio e ele dizia
Que um negócio ele ia começar

Onde o pobre até a morte trabalhava
E o dinheiro mal dava para se alimentar
E ouvia às nove horas o noticiário
Que sempre dizia que seu ministro ia ajudar
Michel não queria mais conversa
E falou que pobre tinha era que se ferrar
Elaborou mais uma vez seu plano santo
E sem ser crucificado até na delação foi parar

Logo os político tudo da cidade Souberam da novidade
''Tem bagulho bom aí!''
E o Michel Temer ficou rico com o PMDB e acabou com todos os concorrentes dali
Fez amigos, frequentava a Asa Norte
Ia pra festa Yunes pra arregimentar
E de repente
Sob uma influência do doleiro da cidade
Começou a tramar
Já na primeira trama ele ganhou e
Virou "seu" presidente pela primeira vez
Violência e estupro do trabalhador
''Vocês vão ver, eu vou pegar vocês!''

Agora Michel Temer era o bandido favorito e destemido no Distrito Federal
Não tinha nenhum medo de polícia Capitão ou traficante, afinal era o maioral
Nem mesmo quando conheceu sua menina
De todos os seus pecados ele se arrependeu
Marcela Temer era uma menina linda
Como prova do amor dele pra ela um Michelzinho ela lhe deu
Ela era bela recatada e do lar
E assim nunca deixou de ser
Marcela Temer pra sempre vou te amar E um futuro com você eu quero ter

O tempo passa
E um dia vem um editor da Veja de alta classe e alta pose
E muito dinheiro na mão
Ele faz uma proposta indecorosa
E diz que espera uma resposta para a manifestação
''Não boto bomba em banca de jornal Nem em colégio de criança
Isso deixa pra PM então
Sou melhor que general de dez estrelas Porque bato mermo na mesa tenho todo mundo na mão
E é melhor o senhor sair da minha casa E nunca brinque com pmdbista master em corrupção''
Mas antes de sair com ódio no olhar
O editor disse: Você perdeu a sua vida, Michelzão!

Você perdeu a sua vida, Michelzão! Você perdeu a sua vida, meu irmão! Essas palavras vão pra próxima edição
Cê vai sofrer as consequências como um cão

Não é que editor estava certo mas
Seu futuro era incerto
E quando ele foi trabalhar
Se espantou ao ver a nova cigarreira Descobriu que tinha outro editando em seu lugar
Falou com Moro que queria um parceiro
Que também tinha dinheiro e queria se armar
Queria ver o seu processo em Curitiba
E Michel Temer vendido em Planaltina

Mas acontece que um tal de Odebrecht
Traficante de influências
apareceu por lá
Ficou sabendo dos planos do indigente
E decidiu que com Michel ele ia acabar
Aécio Neves fez uma proposta para os dois
E Michel Temer sabia negociar
Decidiu usar a arma só depois
Que os partidos  começassem a brigar

Odebrecht empreiteiro sem vergonha Organizou a Lava jato e fez todo mundo se cagar
Delatava políticos não tão inocentes Pois agora a chapa é quente, mas não sabia parar
E Michel Temer há muito não ia pra zona
E a vontade começou a apertar
Eu vou me embora, eu vou ver a Marcelinha mas no caminho o biscoito eu vou molhar

Já está em tempo da Lava Jato cessar Chegando em casa então Michel chorou
Porque pro palácio ele foi
pela segunda vez
Com Marcela Temer viu fantasma e se assustou
E deu um baita de um cagaço nos três

Michel Temer era covarde por dentro
E então o novo editor pra uma conversa ele chamou
Amanhã às duas horas na internetilândia você publica que
"Temer pro Jaburu voltou"
E você escolhe muito bem as suas palavras
Senão acabo eu mesmo com você,
seu porco editor
Até mato também Marcela Temer Aquela menina boçal pra quem jurei o meu amor

E os políticos já sabiam o que fazer Quando viram o repórter aparecer
E dar notícia do retorno na TV
Dizendo a hora, o local e a razão

Então 15 de março marcando as horas
Todo o povo sem demora
Foi gritar "Fora" e resisitr
A um sistema que atirava pelas costas
Do trabalhador e do salário, acertou o "Fora Temer
E começou a sacudir

Sentindo o sangue na garganta Michel olhou pras bandeirinhas
E pro povo a aplaudir E olhou pros seus parceiros
E pras câmeras e a gente da Mídia Ninja que filmava tudo ali

E se lembrou de quando era uma criança
E de tudo o que vivera até ali
E decidiu entrar de vez naquela dança Se a República virou circo é porque estou aqui

Mas o poder cegou seus olhos
E então Maria Lúcia STF ele reconheceu Trazia com ela umas provas de caixa dois
E mais umas contraprovas que o Mello lhe deu

"Michelzão, não sou homem
Coisa que você também não é
Não atiro pelas costas não"
"Olha prá cá golpista sem vergonha
Dá uma olhada no meu aval
E vem sentir o teu perdão"
E Michel com dinheiro do caixa dois
Deu cinco tiros no povo trabalhador Maria Lúcia se vendeu depois
E matou junto com Michel, seu protetor

O povo que nas ruas declararava que
Sabia do babado e não ia trabalhar até morrer
E a alta burguesia da cidade acreditou na história só porque eles viram da TV

E Michelzão conseguiu o que queria Quando veio pra Brasília o golpe promover
Ele queria a cadeira de presidente
Pra ferrar com toda essa gente que só faz trabalhar pra comer

sábado, 5 de novembro de 2016

Nossas idiossincrasias brasilianas

E depois de uma crise de pânico desse mundo (no real do corpo), ainda deitada, comecei a normalizar as sinapses.
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Interessante que ouvimos sem parar que luta de classe não existe e é coisa de marxista-maconheiro-de humanas que não faz nada e tem tempo de pensar essas merdas.

Tá. Vou nem falar do mundo. Vou ficar só com uns dados da terra brasilis.

O que temos visto explodir desde junho de 2013 é o quê? O que você acha que é ese rebuliço que toma conta das ruas e que parece briga de torcida?
Jovens na rua tomando porrada da polícia, jornalistas ficando cegos por tiros de balas de borracha, morrendo. O rapaz que portava o pinho sol preso até hoje por ter PORTADO PINHO SOL na mochila.

Jovens ocupando mais de 1200 escolas sob o silenciamento ou a criminalização massacrantes da mídia que detém o dinheiro no país. Sendo alvos recentes da tortura autorizada pelo Estado.

O que vc acha que é classe média  paneleira na avenida Paulista (porque uma parcela não o é) tendo cobertura midiática e banda de música global regada a prosseco reclamando suas ideias (porque ideia todo mundo pode ter e defendê-la) e essa mesma mídia "faz a gringa" (expressão que quer dizer que finge que não tá acontecendo nada embaixo do seu nariz) quando o país explode em manifestações de rua que só recebem tiro, porrada e bomba de gás?

O que vc acha que é Jucá dizendo que já falou com os generais e que estão já monitorando o MST?

O que vc acha que é esse discurso de "você não tem sucesso por que vc é preguiçoso e ainda tem o defeito de ser preto e mora longe?... "próximo! se aproxime do balcão, por favor"...

O que você acha que é quando menos favorecidos compram esse "texto pronto" e com ele engrossam as fileiras que justificam a mesma desigualdade qie os massacra?

Titia Crica explica:

Isso se chama LUTA DE CLASSES.

Que tem como carro chefe DOIS GRUPOS antagônicos socialmente: um tem capital, dinheiro, la plata, poder na mídia, na escola, no partido. Tem ídolos como Trump (por quem são chamados de porcos e assim mesmo fazer passeata para ele na Paulista) e FHC ( nome nome de inseticida pra mim,  não consigo evitar essa associação).  

O outro grupo almeja e almejará a vida toda sem alcançar quase nada além do sustento, quem sabe um carrinho popular, para seus filhos uma escola sem árvores e que o máximo do lazer é uma quadra de cimento.

Esse são os grupos principais. Sim,  porque a chamada luta de classes é muito mais complexa.

Há grupos economicamente semelhantes se degladiando DISCURSIVAMENTE, porque não enxergam que estão todos na mesma escala da pirâmide. Uns põem o pé no degrau de cima, com cordas segurando pra não despencar e voltar lá pra base, as mãos sangram, mas aí passam a se achar superiores só porque as mãos sangram e isso é sinal de esforço. E com isso passa a achar indigno o outro que só sangra por dentro mas ele não vê, esquecendo que o que tá lá em cima assiste feliz de camarote a subdivisão da luta de classes, os iguais brigando entre si. A luta de classes acontece econômica e discursivamente intraclasses também.

POIS É.

Como a gente pode ver, a luta de classes está aí com força total. É uma pena que achemos que tenhamos que brigar entre nós e com isso alegramos as classes abastadas. Diminuímos nossa força de luta e discursiva a partir de uma mentira.

Qual é essa mentira? De que alguns de nós pode fazer parte de uma classe que na verdade quer o sangue nas mãos (esforço), mas tira as cordas (garantias contitucionais, por exemplo), e quando não servimos mais como colaboradores do sistema, nos empurram de volta em queda livra lá pra baixo sem as cordas pra nos lembrar de onde viemos.

Ou seja: esforço pessoal é uma condicionante muito fraca no terceiro pior país do mundo em mobilidade social. Pesquisa lá das gringas.

Esforço pessoal se torna ínfimo quando não há garantias.

E você aí chamando aquele seu vizinho que sai de casa às 5 da madrugada e volta às 9 da noite de vagabundo. Pensa. Não mata seus neurônios, fique tranquilo.