quarta-feira, 8 de junho de 2016

Sobre a vida e suas dificuldades

Sou a única em minha família que entrou num doutorado. Se vou sair viva dele, é outra história rs...
Como uma pessoa introspectiva de nascença (minha mãe sofreu um retraimento no útero na hora do parto  ao invés de expulsar o bebê e isso afetou a minha maneira de ser desde então), sempre fui quieta (passei raspando centímetros do autismo) e boa aluna. Detestava a escola. Porque eu não socializava. Mas amava estudar.
Por ser muito pobre, a minha alegria era me trancar na biblioteca pública e ler tudo o que eu podia.

Nunca consegui aprender matemática, física e química. Mas português, redação, literatura e história eu amava. E era isso que eu ficava degustando nas horas a fio naquela pequena biblioteca num canto da praça da cidade. Quando soube que foi demolida e deu lugar a um anfiteatro, me doeu como se tivesse perdido alguém querido  ...

Estudei muito, incentivada por minha mãe, que não queria que eu tivesse que ser dona de casa por falta de opção. Me tirava da cozinha e me mandava estudar. Criou um monstro rs.
Por ser extremamente calada, pensativa e leitora contumaz, as entrelinhas dos textos sempre foram tão nítidas quantos as palavras escritas. Minha mente aprendeu a ser crítica e analítica. Eu pensava. Muito. Era o que eu tinha, já que não tinha amigos, nem dinheiro para ter as coisas que as meninas gostam, como bonecas, e nem os livros que eu tanto sonhava.

Consegui chegar à universidade com muita dificuldade, tive que abrir mão do que queria naquele momento e escolher algo de que gostasse mas tivesse menor concorrência porque minha base de escola pública não dava pra passar pra medicina. Um amigo conseguiu pra mim uma bolsa de estudo num cursinho intensivo, e passei em primeiro lugar para Serviço Social. A alegria da minha mãe. E motivo de riso para os colegas abastados de classe que não entendiam porque eu precisava estudar pra uma carreira daquelas. Um em especial me ajudou muito aliviando a minha fome e me pagando lanches no intervalo. Tornou-se um grande amigo, do qual sinto muita saudade.

Mas a fome que passei durante a faculdade era velha conhecida. A gente nunca se acostuma com a fome. Ela torna a necessidade urgente. Mas eu tinha que continuar. E queria. Eram semanas de biscoito com mate. Ou de italiano com suco de caju. Hoje não consigo beber suco de caju. Coitado, ele não tem culpa rs.

Essa experiência foi maravilhosa e extenuante ao mesmo tempo e, ao fim da faculdade, já tinha dois meninos pra criar. Como escolhi ser mãe antes de acabar os estudos, meu sonho de estudar parava ali. Por um espaço de tempo que eu não sabia nem se acabaria.

Foram anos difíceis tendo de me adaptar a tudo para aquilo que minha mãe não me preparou: ser mãe e dona de casa. Vivi os momentos mais lindos com meus dois filhos e marido e também os mais tristes nos quase vinte anos que permaneci mãe de tempo integral. Nunca consegui ler estórias antes dormir pra eles, acho que por trauma de ter que deixar o sonho na gaveta.

De 1994 a 2011 foi um tempo interminável pra mim. Foi quando, com filhos já crescidos mas com uma bebê de dois anos, resolvi que era a hora de voltar a viver plenamente. O dinheiro ainda não era lá aquelas coisas, mas muito melhor do que tudo que eu ja havia tido. Queria fazer algo em que a leitura se fizesse presente. E agora,  finalmente, eu poderia comprar livros.

Me inscrevi no mestrado acadêmico e passei na primeira colocação, o que me possibilitou ser bolsista e me deu um grande alívio, porque ia sacrificar menos  a minha família pra conseguir estudar. E também porque meses antes havia começado uma especialização que me serviu de preparatório. Era um mestrado em Administração, uma ciência social aplicada, mas eu ainda estava na área das Ciências Humanas e pude escolher uma linha de pesquisa mais reflexiva, de pensar a sociedade, as pessoas e as organizações, o meu grande projeto de pesquisa da vida.

Ao começar em 2012 a escrever a dissertação, na qual falava basicamente sobre ideologia no meio acadêmico, fui fisgada, capturada pela Psicanálise na prateleira de uma livraria. E foi um caminho sem volta,  entrei de cabeça em curso de formação e muita leitura e estudo até agora. E em 2014, depois de um mergulho intenso no mundo abissal da Psicanálise, com 7 anos de análise pessoal nas costas e ajuda de queridos mais experientes, me fiz psicanalista. A essa altura eu já era assistente social e mestre em Administração e cria da universidade pública, com muito orgulho.

Tomada então pela beleza e profundidade da psicanálise, pela paixão pelo discurso e pela luta de classes, fiz o processo seletivo e fui aceita no doutorado em Linguística. E aqui estou, neste ponto da minha história.

Tudo isso pra dizer que é praticamente impossível para quem nasceu tão pobre entender o que é meritocracia. Porque simplesmente ela não existe. É um discurso-falácia da ideologia liberal que a sociedade compra e acha natural.  Não tive nenhuma condição de acesso à carreira que sonhava na juventude. Tive que estudar muito mais do que a média e superar deficiências enormes de conteúdo, muitos dos quais eu nunca consegui. E o que eu consegui furar no sistema foi exceção. Simples assim. Fui uma exceção num sistema que repete nos seus princípios o momento da reprodução humana: milhões de espermatozoides são criados para não alcançar seu objetivo, apenas fazer parte da massa. E não fui o espermatozoide vencedor...fui no máximo um daqueles que fazem uma
fecundação in vitro e fecundam sêxtuplos, por exemplo.

Tudo isso pra dizer que o sistema em que vivemos é quase blindado. É feito para não ser acessado mesmo pela maioria, mas desfrutado por poucos.
Isso não tira a minha alegria de ter vivido tudo isso. Mas quero que meus filhos saibam e entendam que todas as conquistas para que gente como eu, uma maria ninguém, pudesse ter acesso ao estudo na universidade pública, estão vergonhosamente sendo desmontadas na velocidade da luz. Talvez Inessa não tenha mais acesso a isso daqui a pouco mais de dez anos se governos que destroem direitos conquistados com sangue de muitos façam esse desmanche. Por isso peço a meus meninos que terminem suas faculdades na UFRJ, pois pode ser que elas venham a ser somente uma lembrança de um tempo de menos horror. Porque estamos no ciclo de retorno à barbárie. É assim que caminha a humanidade,  entre conquistas humanas e a completa barbárie.
Sem mais.

Fora, Temer.

sábado, 14 de maio de 2016

A TRÁGICA " ERA PT" ILUSTRADA POR NÚMEROS

Peguei esse texto do Vinicius Costa no Facebook.  Bom, vamos aos números:

1) FOME : O Brasil reduziu em 82,1% o número pessoas subalimentadas no período de 2002 a 2014. A queda é a maior registrada entre as seis nações mais populosas do mundo, e também é superior a média da América Latina, que foi de 43,1%. O Brasil saiu do Mapa da Fome.

2) EDUCAÇÃO : O número de matrículas no ensino superior dobrou com Lula e Dilma; passou de 3,5 milhões em 2002 para mais de 7 milhões em 2015. O número de Mestres e Doutores, assim como de cursos de pós graduação , também mais do que dobraram.

3) PIB: no fim do governo FHC o Brasil figurava como a 13° maior economia do Mundo . Em 2011, sob o comando da (ex) Presidente Dilma chegamos a ser a 6° maior economia do Mundo , à frente de países como a Inglaterra. Hoje, após o período de crise e da forte desvalorização cambial, somos a 9° economia do Mundo. O PT pegou o país em 13° e entregou em 9°

4) DESIGUALDADE : segundo o índice de Gini, a desigualdade despencou na era PT. O coeficiente Gini, segundo o Banco Mundial, passou de 58,6, em 2002, para atuais 52,9 - Nesse índice , quanto mais perto de 0, "mais igual" é o país. A ONU e a maioria dos economistas justificam que o importante avanço em termos de diminuição da desigualdade social se deu por conta das políticas de valorização do salário mínimo real e da expansão de programas como o bolsa família.

5) IDH - Índice de Desenvolvimento Humano - dados da ONU : passou de um ridículo índice de 0,649 em 2002 (algo próximo do IDH do Iraque e mais baixo que o IDH da Jamaica ) para os razoáveis 0,755 atuais

Acréscimo meu: num país de dimensões continentais como o nosso, não temos noção de quantas pessoas nos mais distantes rincões e mesmo nas metrópoles deixaram de ser miseráveis em sentido abrangente.

domingo, 1 de maio de 2016

Trabalhadores do mundo, uni-vos!

A frase do manifesto comunista escrito oor Karl Marx é o que me vem à mente no dia de hoje: é dia do trabalhador, e não do trabalho como se confunde por aí.
Dia da classe que vende a sua força de trabalho para um sistema que também quer sua alma.  Trabalhadores que se privam mais ainda do que poderiam ter para criar seus filhos.
E é em nome desses trabalhadores pais e futuros trabalhadores filhos que a esquerda brasileira não tem o direito de fazer discurso da derrota. Já temos a mídia manipulada e paga para isso.
Por conta dos acontecimentos hediondos da esfera política brasileira, estamos amedrontados. Mas não há derrota. Há luta. "Nada a fazer, senão esquecer o medo".
Os milhões de trabalhadores que hoje são lembrados nesse primeiro de maio não precisam de medo ou derrota. Esse discurso de fim da linha para a esquerda no Brasil é plantado por essa "mídia nojo" e não pode dar frutos. Os que precisam do Bolsa Família, Prouni, Pronatec, incentivo de agricultura familar e políticas afirmativas não merecem que a esquerda que se autoproclama intelectualizada recue nesse momento. Não temos o direito de tirar dessas pessoas a crença num Brasil pelo que valha a pena lutar. O discurso do fim da história da esquerda brasileira, repito, é uma mentira. E não é retrocedendo no qie se acreditou até aqui que faremos algo de concreto pelo país.
Mesmo com a imundície que os poderes Legislativo e Judiciário estão produzindo, não conseguiram encontrar crime na governante maior. Estão precisando fabricar fatos junto com a mídia para instalar de vez sua quadrilha no poder. Mas a esquerda tem que e vai ser a pedra no sapato dessa gente.  Porque os trabalhadores não precisam que lhe sejam extorquida a humanidade.
A presidente foi criticada por que não se vitimizou diante do mundo na fala na ONU. Alguém ainda em sua ingenuidade  pensou que a "mulher-sem-marido-nas-costas-que-foi-torturada-e-chegou-à-presidência" ia fazer a coitada? Não né. Nunca fui fã da pessoa, mas também nunca me pareceu ser esse seu perfil. Os trabalhadores precisam de alguém que lute, não de vítimas na esfera politic e administrativa do país.
Então, de uma vez por todas, a esquerda precisa levantar, sacudir a poeira e partir pras próximas batalhas, porque vem chumbo grosso por aí. Teremos que lutar dez vezes mais pela Educação, seja de base ou Universitária, pela Saúde, pelos direitos trabalhistas mais fundamentais com o direito à férias, por exemplo, pelas políticas de Estado que foram conquistas dessas classes que realmente produzem e fazem a roda da economia andar. Não é o sistema financeiro que salva um país de uma crise. Ainda mais com a classe política em dobradinha com o setor privado fazendo a vergonha mundial de jogar o país no buraco.
Esta na hora de lutar. Com todas as forças. Contra todas as probabilidades. Porque pra trabalhador nada vem fácil. Ele não tem tempo de sair batendo panela porque precisa trabalhar pra colocar comida nela.
A saída para um país como o Brasil deve ser sempre pela justiça social, conquista e manutenção de direitos. Porque meritocracia é uma das mentiras mais bem fabricadas pelo sistema. Não há meritocracia com ausência de direitos.
Chega de discurso de fim da esquerda brasileira e bora pra luta. Estamos apenas começando.









quinta-feira, 7 de abril de 2016

A depressão e o tempo

Estamos vivendo em tempos estranhos. Estamos imersos num sistema de aceleração de todas as coisas e processos, que nos tem levado a todos a um estado de exaustão que não nos deixa.
Vivemos uma esquizofrenia psíquica porque, além de acelerados e ansiosos, estamos também deprimidos.
E é interessante como essa coisa chamada tempo se processa numa pessoa que está num estado deprimido.
O descompasso se inicia ao primeiro abrir dos olhos pela manhã. Na verdade, ele já está instalado porque a noite anterior não foi de descanso, pois o estado ansioso atrapalhou por demais o sono, durante o qual não se teve a experiência da profundidade.
O tempo parece um grande navio embora a gente quisesse que ele fosse um jato. E aí o nossa mente e espírito começam a batalha de desacelerar o impossível.  Pelo menos para quem está de fora.
Levantar da cama para ir ao banheiro já é uma tarefa olímpica. Engraçado que os minutos andam da mesma maneira, mas o corpo refém da mente rebelde se agarra nos ponteiros do relógio para atrapalhar o percurso linear das horas.
Aqueles 15 minutos até poder sair do quarto e ir preparar um gole de café na cozinha estão já multiplicados por quatro no corpo, porque foi essa a proporção de energia gasta para fazer essa tarefa.
No caminho para o trabalho as coisas parecem não fazer muito sentido porque não entendo como as pessoas estão num estágio de energia vital que eu não consigo nem vislumbrar. E assim passa o dia. Quando chega a hora do almoço parece que já se viveu uma vida. O dia continua e assim ele termina.
A dimensão do tempo é algo que muda radicalmente num processo depressivo. A baixíssima libido, a energia de vida, transforma o deprimido num ser fora do tempo. Aquém dele. Pois simplesmente tudo parece que leva pelo menos o dobro para se realizar, mesmo que seja um pensamento. Quando se tem que ir do nível da ideia para a esfera da ação aí a energia gasta parece quadruplicar, e o fim do dia parece o fim de uma guerra. Um cansaço sem fim de ter que carregar nas costas o peso das horas que correm e se arrastam ao mesmo tempo, onde o que se produziu foi pensamento demais e ação de menos.
É preciso levar em consideração essa diferente dimensão do tempo para uma pessoa deprimida. Não é preguiça. Não é má vontade. É o ser abandonado pela própria libido. É o se trancafiar no eu sem medir as consequências porque não consegue sequer vê-las.
Levar em conta esse tempo não é ajudar a pessoa a se afundar. É apenas compreendê-la. Ajudá -la a acelerar uma rpm que seja, mas não querer inseri-la numa corrida na qual ela não está em condições de estar presente naquele momento.
O tempo foi mercantilizado. Minutos viraram dinheiro. Mas os processos emocionais não obedecem a essa lógica, por isso a importância de dar tempo para quem não consegue viver o tempo de caça-níqueis que empurra a sociedade.
Mais mão estendida e menos julgamento pode ser muito mais proveitoso.
 

terça-feira, 22 de março de 2016

Juntar os amigos

Estava aqui agorinha mesmo numa brincadeira via Facebook e me dei conta de como gosto de juntar as pessoas. Gosto de receber. De celebrar junto. De gargalhar junto. Gosto de estar perto dos que eu gosto.
Tenho meus momentos introspectivos. Sou introspectiva por natureza, e utilizo o humor e as reuniões de amigos para sair da concha.
Sorte eu tive de casar com alguém que também gosta de receber. Somos um casal de anfitriões. Meu marido, internacionalmente conhecido como Cazalberto, gosta de alimentar as pessoas. Eu falo besteira. Quer ambiente mais legal do que recheado a comida e boas risadas?
Pois é. Mas isso tem sido cada vez mais difícil. A vida anda muito corrida e ninguém tem tempo, nem a gente que gosta tanto. Mas acho que também nos falta vontade de verdade. A aceleração da vida nos faz desejar a nossa cama como o amor da nossa vida, e interagir depois de um dia cheio de trabalho e pepinos fica complicado muitas vezes.
Mas aí é que eu acho que a gente tem que se esforçar. Porque a tendência é que a gente fique cada vez mais só num mundo cada dia mais lotado de gente. O excesso de trabalho tem levado a gente a se divertir cada vez menos, porque simplesmente a gente não tem energia.
Aí eu, Crica promoter-hostess, ando bem chateada, pois não tenho conseguido juntar os queridos na minha casa pra boas risadas, coisa que me dá tanto prazer.
Talvez eu esteja ansiosa. Talvez seja isso.
Sei lá.
É isso.



segunda-feira, 21 de março de 2016

Eram deuses os intelectuais?

Penso que se, a Universidade ou Academia, fosse mais entranhada na sociedade e não encastelada intramuros, com certeza a discussão política que está acontecendo hoje seria mais rica.  Penso que devemos voltar a ser os intelectuais que tanto sonhamos: cara a cara com a galera, palestrando, discutindo,  argumentando, enriquecendo a luta. E não fazer isso apenas em tempos extremos. Mas ainda bem que estamos fazendo isso hoje nesse tempo de treva político - econômica - midiática.
Colegas queridos têm colocado "textão" justamente para trazer um pouco de diversidade na arena de guerra que virou a rede social. Terra de fanatismo e ódio que precisamos,  veementemente, combater com discussões bem fundamentadas.
O ruim é que outros queridos às vezes só lêem o título e puxam o gatilho. Já aconteceu de se perguntar: "mas vc leu o texto?". "Ih, li não. Só li o titulo". E isso aconteceu com amigos pós- graduados. O que me leva a outro ponto: nível de escolaridade quer dizer muito pouco quando somos tomados pela nossa recusa em ouvir o que não concorda com o nosso pensamento.
Penso que nosso papel enquanto intelectuais é chamar pra real, falar e nos posicionar. Não somos deuses nem pretendemos (bom, eu falo aqui por mim), mas vejo meu conhecimento de quase 30 anos de estudo ser desqualificado com palavras até de baixo calão.
Não sou mais do que ninguém porque estudo a sociedade todo esse tempo. Mas não é possível que eu seja uma idiota.
Faço muito textão na tentativa da gente ser informado. Essa é a minha obrigação número um como intelectual: não deixar o conhecimento que me foi transmitido morrer em mim. Conhecimento que não se replica não serve pra nada. E de vaidade acadêmica,  podem crer, eu entendo.
Nesse sentido, estou com Gramsci: intelectual tem que ser orgânico,  estar na sociedade, na escola, no partido, nas instituições. Mas o mais importante: estar na rua no momento que a luta exigir. Esse é o momento.

Crica Viegas
Psicanalista
Doutoranda em Estudos de Linguagem pela UFF
Mestre em Administração/UFF
Assistente Social

Porque um mini - currículo nesse momento foi necessário pra quem tem me chamado de idiota, burra e ignorante.

sexta-feira, 18 de março de 2016

Democracia, exageros e midia

Este post seria antes do que publiquei ontem. Mas tudo bem. Trouxe do Facebook pra cá.

Penso que estamos vivendo dias surreais e maravilhosos numa democracia. Dias de luta. Dias de sentimento forte e nó na garganta. Há exageros e crimes dos dois lados? Há. Muitos. E acho o crime do PT até mais grave,  por sua herança histórica. Quem se proclama de esquerda não faz as aliancas espúrias que fez o partido do qual um dia fiz parte.
O fato é que hoje vemos algo inédito na nossa jovem República. As pessoas de verdade se envolvendo. Não estou falando dos aproveitadores e marqueteiros de si mesmos. E de muita gente arrogante que quer só o seu pirão e dane-se o resto. Estes existem dos "dois" lados (embora haja muito mais lados nessa história) além de, como se diz, um mimimi sem fim.
Bem... a corrupção endêmica e sistêmica no Brasil chegou ao fundo do poço. Os políticos não conseguem mais se esconder como antes porque o avanço tecnológico nos permite ver em tempo real a vida acontecendo.
Tenho uma crítica à grande mídia,  mas ela na verdade está fazendo o seu papel porque ela tem bem definido o lado em que se encontra e não é ao lado da população, nunca foi. Por isso acho o discurso midiático hipócrita, assim como o da classe política. Ah, e o dos grandes empresários tb, porque sangraram nosso dinheiro por governos e governos junto com as instituições que deveriam nos proteger e se fazem de inocentes. E a nós tb cabe ter muito cuidado para não cair nessa hipocrisia que parece contagiosa...enfim...
Tem muitas particularidades que não cabem por aqui, senão não vai dar pra ler.
De qualquer forma, acho que esse sacode é o maior momento da nossa democracia desde que nasceu. Oremos para que a gente consiga ter alguma saída para que o pobre e o necessitado não venham a sofrer mais ainda. Chega de sangrar os vulneráveis,  de matar a juventude negra, de torturar os indígenas esquecidos nesse debate, assim como os pobres pensionistas de um salário mínimo do INSS falido pelas Georginas e cia da vida. E aí vem sigla para todos os gostos: PT,  PMDB, PSDB, DEM e os milhões de partidos políticos enlameados e canalhas.
Precisamos, na verdade, de uma vez por todas, nos responsabilizar e fazer fazer a nossa parte. Reclamar e apontar o dedo não vai fazer essa democracia dar os próximos passos. E ela PRECISA dar esses passos. Mas temos que jogar com os grilhões e na cadeia quem nos rouba e nunca soube o que se chama consequência dos seus atos sórdidos. Não importa que seja. Nem quanto dinheiro e poder tenha.
Continuarei sendo de esquerda. Porque acredito e continuarei acreditando que só se tem justiça quando ela é social e funciona para todos. Quando o que eu produzo torna torna a vida do pobre mais digna. Quando o que eu compro faz o trabalhador ter o seu salário. Aliás, meu discurso é esquerdista sim, bem esquerdista, e não há do que me envergonhar. Me chamar de comunista não me ofende. Quem assim me chama nem sabe do que se trata, pois o comunismo real e à vera nunca existiu. Ficou na mente e na teoria de Marx que, ingênuo como Rousseau, achava que o homem era bom. De resto, foi o que problematizou o capitalismo de forma mais magistral de que sem notícia. Mas não é disso que estou falando agora.
Apesar que de tudo se resume à luta pelo poder do capital.
É isso. Apenas minha opinião. Não ia conseguir dormir sem falar com alguém sobre isso.